
No meu primeiro carnaval pernambucano, nos idos de 1996:
- Ah, me larga!
- Come qualquer coisa na rua, menos salsichão. Depois não diga que não avisei.
É claro que eu não ouvi o conselho do meu amigo e comi. E passei maaal, muito mal. Pus todos os meus bofes pra fora no meu primeiro dia de folia. Tive um piriri que não recomendo a ninguém no meio de Olinda e rezava pra encontrar um banheiro a cada 100m. Pra completar, faltava água na casa que tínhamos como base. Ou seja, eu me lasquei de verde e amarelo (e marrom, né? Urgh!). Ainda tive que passar o resto do carnaval inteiro bebendo água e ouvindo "Eu avisei! Eu te falei!", sem poder dizer nada. Ser teimosa tem dessas coisas. E ter 19 anos também.
Eu tenho um talento natural pra ficar sem beber em eventos onde invariavelmente se bebe, como, por exemplo, Carnaval, Copa do Mundo e no aniversário de 30 anos. Ah, e quando se está de férias na Europa no-meio-da-Copa-do-Mundo também, que é pra ser bem profissional no assunto.
Explico.
Eu inventei de fazer um tratamento pra emagrecer e entrar os 30 gostosona. Perdi seis quilos, dois números no manequim e a graça de viver. Tá, eu não perdi a graça (sem drama, Mayra!). Eu tava linda como pretendia e resolvi fazer uma festa de arromba. Minha mãe comprou garrafas e garrafas de espumante e algumas ostras para brindarmos com a família e os convidados trouxeram verdadeiros carregamentos de cerveja. Eu tomei uma taça de champanhe a noite toda e muita Coca-Cola Light. E ficou por aí. Tudo em nome da silhueta. Eu me diverti horrores, até porque eu sempre me divirto. Mas bora combinar que comemorar aniversário sem brinde perde um pouco a graça? Ainda mais quando se vira balzaca.
No mesmo ano teve a Copa do Mundo (2006) e eu ainda tava nessa de dieta. Nos jogos do Brasil eu bebi Liber (ui!!) a dar com pau, pra ver se entrava no clima da galera. Eu não entrei, é lógico. Gritei, torci e tive até ressaca no dia seguinte. Tá, não tive, mas bem que queria ter tido. Vai ver foi por esse motivo - e somente ele - que o Brasil foi eliminado. Ahã. O que eu sei é que cerveja sem álcool faz a gente ir mais ao banheiro do que a normal. E empapuça na terceira latinha. Eca!
E lá fui eu pra Europa comemorar 30 anos de amizade com uma amiga, em 2010. O bacana da nossa viagem é que era mais uma Copa do Mundo onde veríamos cada jogo do Brasil em uma cidade diferente. E eu já fui no avião falando: "Putz, esse ano eu bebo na Copa, porque na passada eu tava abstêmia, de dieta!". Aí a maluca aqui vai e se estabaca no chão em Barcelona e quebra o nariz, como muitos de vocês já sabem. O resultado? Cinco dias no anti-inflamatório e dois jogos do Brasil (e vários outros de times europeus) a seco. A sorte é que na Espanha você encontra cerveja sem álcool que preste, na pressão, em qualquer bar. Isso foi a redenção. Nem lembrei da ferida na cara e segui me divertindo, como sempre.
É fato que eu não perco a pose nem o programa, com ou sem álcool. Mas o curioso da questão é estar em eventos emblemáticos sem beber. Isso sim, dá raiva, não vou mentir. Mas sabem que eu já estou me acostumando? Este ano entrei de dieta de novo e reduzi os drinques, pra variar. Meu aniversário tá chegando e devo beber muito pouco pra não recuperar os quase quatro quilos que já se foram. Mas é claro que eu vou querer fazer tim-tim com as pessoas queridas pra comemorar, né? ? Afinal, eu vim ao mundo a passeio e o que é que as pessoas fazem quando estão passeando, hein, hein?
Beijinhos sóbrios.












