Voltar a Paris pela segunda vez foi interessante. A começar pela completa e irrestrita liberdade de não ter que visitar pontos turísticos obrigatórios. Se fui à Torre Eiffel todos-os-dias que fiquei lá, foi porque, simplesmente, eu queria. E quando decidir não ir, não fui. Sem peso na consciência. Os amigos-companheiros-de-viagem quiseram voltar lá no pôr-do-sol pra tirar as últimas fotos antes de irmos embora da França. Soltei a pérola que saiu estranha, mas convicta, da minha boca: "Vão lá, não aguento mais ir pra Torre Eiffel". Que esnobe, hein?? Hehehe. E me joguei sozinha pra Pigalle. Delícia.

Havia estado em Pigalle somente à noite, para ver as luzes de neón e curtir uma balada. Desta vez, saí de Montmartre andando com um mapa na mão em busca do Café Les Deux Moulins, aquele em que Amelie Poulain trabalhava no filme e onde se passam boas partes das cenas. Descobri uma Pigalle divertida, de gente bonita, construções tortuosas e de muito agito. Beiravam as 8 da noite e o sol do verão ainda ardia no céu. Entrei no café, pedi uma taça de vinho no balcão e sentei-me em uma mesa. Fiquei me sentindo a própria parisiense dentro de um dos meus filmes preferidos, não fosse o guia de Paris que abri pra ver outros lugares interessantes pra se visitar. O café é uma graça. Fui ao banheiro disposta a arrancar uma meia-calça que vestia e que havia puxado o fio loucamente, quando me deparei com um pequeno "museu" com alguns dos principais objetos do filme: o abajour de porquinho, o duende viajante, as polaroides... Uma fofura!!! Tirei um montão de fotos no meu iPhone... que foi roubado assim que cheguei no Brasil. Paciência, néam?
E é lindo como na Europa eles celebram a chegada do Verão! Em Paris, a Fête de La Musique é o evento que rola durante as 24 horas que antecedem a estação do calor. E põe calor nisso! É impressionante como a temperatura muda de uma hora pra outra. Chegamos ainda pegando um friozinho e, como num passe de mágica, bastou o verão mudar no calendário pra estarmos de bermuda e camiseta passeando pela cidade. A Fête de La Musique é uma sensação. Música de todos os lugares do mundo acontecendo por todos os cantos possíveis e imagináveis da cidade. Uma delícia só! Passeando pelo Boulevard Saint Germain vimos tanta gente bonita e ouvimos tanta música boa que dava pra jurar que era uma pegadinha, de tão inacreditável.
Assistimos ao jogo Brasil X Coréia do Norte no bar Favela Chic, de brasileiros. Rolou telão, torcida e muito samba. Os franceses já estavam meio desacreditados e putos com a seleção deles (foram desclassificados um ou dois dias depois) e pareciam bem animados com o Brasil. Fui comprar uma caipirosca e o atendente, em francês, me perguntou se queria vodca nacional ou importada. "Importada, claro!". Então ele me aparece com uma Smirnoff na mão. Hein??? Pára tudo!!! Qual é a vodca nacional, moço? "Ah, só tem Absolut". Pois é nacional mesmo, vai. Vou fazer esse sacrifício... rsrsrs. E tomei a pior caipirosca do mundo. Não pela vodca, mas pelo primo-francês-de-suco-Maguary-de-manga que misturaram. Querer tomar drinque tupiniquim feito por gringo dá nisso.

Detesto cemitérios. Não quis visitar os famosos cemitérios franceses na outra viagem e dessa vez não escapei, terminamos visitando o de Montparnasse. Os amigos insistiram e lá fui eu. Logo de cara encontramos o túmulo de Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre. Tá, foi emocionante. Mas depois a peregrinação em busca de outras lápides me deu uma sensação estranha. Meio aquela coisa de criança brincando de caça ao tesouro. Olha, achei o do Baudelaire!!!. Ou de repente tropeçar onde Júlio Cortazar está enterrado. Eu hein!! Sentei num cantinho e fiquei lendo enquanto meus amiguinhos se divertiam com isso. Gosto mais de gente viva.
Mais fotos da viagem você encontra aqui.
Bisous parisienses.







