terça-feira, junho 01, 2010

A Unimed é quem paga!


Então a pessoa tinha tomado um vinhozinho na casa dos amigos e resolveu largar o carro lá pra não dirigir sob efeito de álcool. O casal, muito solícito, decidiu me levar em casa, coisa que aceitei de bom grado. O preço do táxi em Brasília anda pela hora da morte.

Chegando ao condomínio e nos aproximando da minha residência, me dou conta do impensável: esqueci as chaves de casa no porta-luvas do meu carro. Mania antiga que eu ainda não consegui largar. Close na cara de pânico da mocinha aqui que logo pensou: "Putz, vieram me trazer aqui e eu não tenho como entrar, que bonito isso!". Meio sem-graça, dou a notícia aos bons samaritanos e então decreto: vamos arrombar a janela!

- Que é isso, Mayra!
- Ah, não disse pra quebrar, mas vamos forçar a fechadura que em algum momento deve ceder.
- Será?
- Bom, eu nunca tentei, mas aqui é praticamente a Vila do Chaves e as casas ficam mesmo meio abertas...

Eis que passa, nesse instante, uma das vizinhas com seu adorável cachorrinho e me vê naquela siutação: forçando a janela da minha própria casa. E diz pra mim: "Ih, já passei por isso! Faz assim: suspende a janela, empurra pra lá, força daqui e pluft, o trinco cai sem danificar nada". Agradeço mais-sem-graça-ainda. E não é que funcionou? Que danadinha, gente!

Agora a parte divertida da coisa toda. O tal casal fofinho que foi me levar estava indo à minha casa pe-la-pri-mei-ra-vez. E sim, entraram pela janela. Primeiro a esposa, depois ele e por fim, a anfitriã. No topo dos meus 1,58m, dei um pulo de costas e sentei na janela, então joguei meu corpo pra trás, caindo no sofá. Quase um salto em vara das Olimpíadas. Todo mundo dentro, todo mundo acomodado. Então vamos abrir mais uma garrafa de vinho e brindar à nossa performance, néam?

O papo tava ótimo e o casal resolveu ir embora. Pela janela, é claro. Nisso todo mundo já estava às gargalhadas. Outro amigo havia ficado de ir me buscar pra irmos pra uma festa. Chegou enquanto eu me arrumava. Eu só gritei lá do segundo andar: "Entra pela janela, amore! A porta tá sem chaves!". Sem mais perguntas e com a agilidade de um atleta, em poucos segundos encontrava-se lá dentro.

Fico pronta. Outra puladinha pra irmos pro carro e fomos curtir a balada. Já tava íntima daquela janela. A festa foi ótima. Morta de cansada e toda descabelada de tanto dançar (eu bato cabeça até ficar tonta na pista, sabem?), consegui uma carona pra voltar pra casa. O mocinho, muito prestativo e gentil, chega ao condomínio e faz questão de me deixar na porta de casa. Pra evitar todo e qualquer tipo de constrangimento, digo:

- Pode ficar aqui, eu sigo sozinha.
- Que é isso, tá tarde. Faço questão de deixá-la na porta.

Close na cara de Ohw My Gowd!

Aí eu queria enfiar minha cara num buraco. O rapaz insiste, entra no condomínio e estaciona quase dentro da minha casa. Agradeço, saio do carro e fico na porta da minha residência dando tchauzinho pro cidadão (vai embora, meu filho, que eu preciso entrar e não quero pagar mico). Mas o mocinho não vai, não vai e não vai. E então eu comecei a ficar com muita vergonha. Destrambelhei a dar tchauzinho com um sorriso amarelo e ele não-engatava-a-porra-da-ré. Então me aproximei da porta do carro e falei: "Meu bem, pode ir, eu tô bem, mais bem entregue impossível". Não adiantou, disse que só ficaria tranquilo depois de me ver entrar. Foi aí que eu deixei de ser uma lady. Meu sangue subiu, esquentou de verdade e eu contei até 10 pra não ter uma síncope. E abri o jogo:

- O negócio é o seguinte. Estou sem a chave de casa e preciso entrar pela janela. E não, você não precisa ver isso sendo feito por uma mulher de vestido e salto alto. Ok?

O mocinho ficou branco olhando pra mim e eu com cara de "vaza daqui agora, sacou?". Desencanei, mandei minha dignidade à merda e pulei a janela com fé e cabeça erguida. Tchau e benção. No dia seguinte, a primeira coisa que fiz quando acordei foi ir buscar meu carro. E providenciar uma cópia da chave de casa pra ficar dentro da carteira. Porque doida que é doida, anda com DUAS chaves da casa pra não dar vexame nas próximas vezes.

Beijinhos de quem ficou cheia de hematomas por conta dessa peripécia.

segunda-feira, maio 31, 2010

Je Vois la Vie en Rose


Sabe aquela sensação de que você devia ou poderia ter feito algumas coisas quando era mais novo (leia-se aos 20 anos), ouvia todo mundo contar suas experiências e olhava com cara de pidão? Sabe-se lá o motivo de você não ter feito, mas sempre rolava aquela invejinha e pra piorar, a impressão de que não, você não faria aquilo nunca mais porque o tempo não volta.

Eis que você percebe que não é bem assim. Rá! O tempo volta sim e nunca é tarde pra recuperar o que não se fez. Tudo bem, você não é mais aquela garota espevitada e impulsiva (falou comigo?) dos 20 anos. Virou balzaca, gente grande, paga contas e tem responsabilidades. Mas nunca é tarde pra se divertir. Ao menos que com o passar dos anos você tenha deixado a vontade de viver pra trás. O que não é, definitivamente, o meu caso. Explico.

Cansei de ouvir as histórias de amigos que pegaram uma mochila, um avião, um trem, um ônibus, uma carona e se mandaram por esse mundo de meu Deus. Fosse de férias, de onda ou simplesmente por falta de juízo. E eu só olhava com aquela cara de eu-também-quero. E por razões diversas, nunca o fiz. E aí, quanto mais o tempo passava, mais eu pensava "gente, tô ficando velha pra essas coisas" (oi?).

No final do ano passado eu fiquei pensando o que faria nas minhas primeiras férias como concursada. Trinta dias, milhões de planos e o melhor: dinheiro na conta pra fazer o que eu quisesse (tá, nem tanto dinheiro assim). Decidi então que iria pra Europa rever amigos, visitar pessoas e conhecer novos lugares. Solta e desgarrada. Ao Deus dará. E sem essa de mochila nas costas porque eu já sou uma balzaca com duas hérnias de disco. Mas eu queria uma coisa quase igual, só que com mais glamour, óbvio.

Comecei a organizar o roteiro na minha cabeça. Faria a viagem sozinha. Certo dia saio pra almoçar com uma amiga de infância. Comento com ela dos meus planos e então ela diz que estava planejando a mesma coisa. Coincidência ou não, pouco tempo atrás dissemos que comemoraríamos 30 anos de amizade com uma viagem pra Espanha. Sem querer deu certo. Isso mesmo! Estamos indo juntas surtar no Velho Mundo por de-zoi-to dias. E sabe o que é melhor? Com o juízo dos 20 e a infra dos 30. Nada melhor.

E aí que as notícias correm e encontro outro amigo de longas datas. Então ele me avisa que estará na Europa justamente quando nós estaremos indo. Resumo da ópera: vamos nos encontrar em três cidades diferentes dentre as cinco que iremos visitar. Encontros, itinerários e garrafas de espumante têm ilustrado nossos momentos de celebração, amizade e muita empolgação.

E outra coisa que eu não contei dessa viagem: iremos ver cada jogo do Brasil nesta Copa em uma cidade diferente da Europa. Sim, sim, Salabim! Tirando abertura e final, estaremos dando a pinta por lá no meio do campeonato. Eu já avisei pros dois que vou de verde e amarelo pra todo canto deixando bem clara a minha brasilidade-de-ser. Vou parecer um periquito. Quero nem saber. E se rolar vergonha alheia, melhor ainda. O bom é que amigos se entendem e eles já entraram na mesma proposta canarinha.

França, Espanha e Portugal. Três solteiros, algumas malas e a corda toda pra comer bem e fazer comprinhas, além de cair na balada, é claro. Ah, eu merecia boas férias, não é mesmo? E essas, com certeza, serão inesquecíveis. Prometo que conto pra vocês as partes publicáveis (piscadinha de olho e risinho sacana).

Beijinhos super-empolgados de quem viaja daqui a pouco mais de duas semanas.

quarta-feira, maio 12, 2010

Da série "Recordar é Viver" - I

Quem acompanhou o drama do sumiço do blog nos últimos dias, não deve ter entendido o motivo de tanta agonia e "apego" da minha parte. Afinal, a gente pode criar novos blogs a qualquer momento e começar tudo de novo.

Pois bem. Eu dei mole e não salvei meus textos publicados neste endereço, que existe desde 2008. Seriam 34 textos perdidos! Pra quem pretende um dia criar o próprio site e incluir nos arquivos TODOS os posts publicados desde 2003, era motivo pra pânico, sim!

O blog voltou. Sei lá até quando. Basta o Google cismar de novo e... plim! Ele vai sumir como num passe de mágica. Mas eu já salvei tudo para minha alegria e segurança. E eu ando relendo, reescrevendo e selecionando esses textos publicados em 7 anos de blog. E decidi republicar alguns aqui. Bom pra quem nunca leu e bom pra quem já conhece as histórias se divertir de novo com elas. Bom que assim ouço a opinião de vocês, já que isso tudo pode um dia fazer parte de um livrinho ou coisa parecida. Quem sabe?

Beijinhos.


Texto publicado em agosto de 2005


Entrei no táxi. Ao meu lado, um motorista cinquentão com cara de gente-que-faz começou a puxar papo um sotaque ótimo do nordeste:

- Trabalha no Senado é?
- Trabalho.
- E essa esculhambação toda aí, hein?
(pense numa pessoa doida pra conversar e que não era eu)
- O que que tem?
- Ah, você acha que vai dar em alguma coisa?
- Sei não.
- Vai não, minha filha. Te digo logo. Esse país é muito bagunçado.
- Pois é, né?
(fiz cara de "é comigo???")

E lá se foram diversas teorias sobre o esquema do mensalão, se o Lula sabia ou não de tudo desde o começo, se o PSDB deve ou não ser punido porque descobriram que neguinho recebeu dinheiro lá também, se o Delúbio isso, o Zé Dirceu aquilo...

Escuto Britney Spears começar a cantar e reparo que a música não vem do rádio. Era o som do celular dele, que atende com voz mansa (dirigindo):

- Oooooi, tudo bem? (pelo tom, percebi logo que tratava-se de uma mulher. Homem só fala manso com um rabo-de-saia).

- (...)

- Pois é, querida (bingo!), não deu pra ir ao nosso encontro. Você tá muito brava comigo? (ah, eu ficaria...).

- (...)

- Fica brava não, meu doce de coco. A gente combina de novo e eu prometo que vou. Mas me diz uma coisa... você não tem namorado nem marido meeeesmo, né? Porque na minha terra, lá na Paraíba, o cabra quando encontra o amante agarrado na mulher dele resolve com a peixeira. Aqui é no tiro mesmo. Eu não quero encrenca. (e eu no assento do lado, com cara de finge-que-eu-nem-tô-aqui-viu?)

- (...)

- Tem mesmo não, né? Solteiríssima? Então tá bom. E esse friozinho, hein? Bom pra ficar abraçadinho, tomando um vinho. Mas pode ser uma cervejinha também (e o cidadão olha pra mim e dá uma piscadinha. Eu já sem saber se devia tapar os ouvidos ou fazer um "jóia" pra ele, como quem diz "mandou bem, brother").

- (...)

- Olha meu doce, vou ter que desligar. Estou trabalhando. Te ligo depois tá?

Desliga, olha pra mim e diz:

- Você não concorda?

- Eu?? Com o que?

- Que é um risco esse negócio de conhecer uma pessoa e ela ter um macho
(concordar eu concordo, principalmente quando é um cara lindo, interessante e tem um macho). Já vi muito amante morrer na mão de marido traído. E mulher safada é o que não falta nesse mundo.

- É perigoso mesmo (eu ia dizer o que??? o motorista do táxi tava querendo um conselho emocional...). Mas tem homem safado também...

- Pois é. Eu fui pro bar outro dia e conheci essa moça. Papo vai, papo vem, marquei um encontro com ela. E eu não fui de propósito. Marquei e furei.

- Pôxa. E por que você fez isso com ela?

- Ah, pra ver se ela tava mesmo a fim. Se ela me ligasse brava por conta do bolo, aí eu saberia que vale a pena investir.

- Ah é? Isso é uma estratégia?
(não teve jeito, me empolguei e já tava participando do papo como se fosse a melhor amiga).

- É. Tenho 56 anos e isso sempre funcionou. Mulher é bicho ruim. Ou você maltrata, ou ela não te dá bola (disse isso com a cara mais lavada do mundo).

- Como assim, Bial??? (isso foi uma fala interior com o impacto daquela afirmativa. Fiquei calada, muda, perplexa).

O carro chegou ao destino e eu ainda tava formulando uma das minhas várias teorias sobre a safadeza humana pra dizer praquele senhor-troglodita. Melhor mesmo não ter dado tempo. Ele atiçou meu lado feminista dando a deixa pra eu comprar uma briga. Paguei a conta e desci do carro. Olhei pra trás e dei a língua. Não tinha mais nada que eu pudesse fazer.

Beijinhos de mocinha que não acha que um tapinha não dói. Dói sim. E muito.

sexta-feira, maio 07, 2010

Um passeio etílico no shopping

E lá tô eu passando no Iguatemi, o shopping do meu quintal, para almoçar antes de ir pra casa. Quando não levo marmita pra TV, faço um pit stop rápido na praça da alimentação ao sair do trabalho. Ser vizinha de shopping tem dessas coisas. Rá!

E curiosa como sou, sempre dou uma circulada pra ver o que tem de novo. Afinal, o Iguatemi abriu com somente 70% das lojas em funcionamento. E sempre tem uma novidadezinha aqui, outra ali. Pode falar que o shopping tá inacabado, que achou mal feito, que tinha goteiras quando inaugurou. Fala aí o tanto que você quiser, porque eu não vou ouvir mesmo...

Pois bem. Subo a escada rolante e a melhor e mais esperada visão de todos os tempos se concretiza: a Livraria Cultura de portas abertas, fi-nal-men-te. Felicidade extrema. O estômago roncando, mais parecido com uma máquina de lavar roupas centrifugando e eu lá, olhando meu mais novo ambiente de não-fazer-nada. Eu vou a pé da minha casa, lembram?? Fazer nada lá vai ser muito mais legal! E ainda tem um café espetacular com área externa e tudo. Ai ai...

Cinco da tarde. Olhos vidrados em todos os detalhes, que nem criança em loja de brinquedo. Tal qual o gênio da lâmpada surge na minha frente um garçon, taças e garrafas de champanhe (assim, no plural).

- Aceita, moça?
- Ora not! Sure!!

Tomei meia taça, fiquei lerda. Daí lembrei que tinha ido lá pra almoçar, não pra beber. E beber de estômago vazio não dá certo, concordam? Antes que me sentisse quase grávida do Alien, devolvi a taça à bandeja e foi aí que o gentil garçon me disse:

- Vem às sete horas, vai ser o coquetel oficial e é aberto pra todo mundo.

Prometi que ia pensar no assunto com carinho. Sigo então pra praça da alimentação, peço meu ranguinho e destrambelho a mandar mensagens pros amigos: "Coquetel de inauguração da Livraria Cultura hoje às 19h. Champanhe de graça e gente bonita. Bora?". O celular começa a pipocar com as mensagens de hoje-não-posso, hoje-não-dá, que-pena-mas-não-poderei-ir e antes que eu desencanasse da proposta por completo, pisca um "Bora!" no meu aparelho. Sempre tem alguém disposto! Atóóóro.

Às sete em ponto minha amiga me pega em casa (lógico que eu fui arrumar a cara e o layout) e lá vamos nós. Conforme previsto, muita gente interessante, bebida a rodo e grupo de chorinho tocando. Ah, livros pra todos os lados também, já ia esquecendo. Mais agradável, impossível. Volta olímpica pra conhecer o lugar (que tá um arraso!) e taças na mão. Champanhezinho aqui, canapé ali, folheia um livrinho acolá e encontramos duas poltroninhas lindas onde nos aboletamos até o fim da "festa". Os garçons nos adoraram e não nos deixaram em paz. Copo cheio 24 horas! É aí que mora o perigo...

Perto do horário de fechar, já com um bocadinho de champanhe na cabeça e cartão de crédito no bolso, um livro o qual eu vinha babando há algum tempo e sem coragem pra pagar o preço começa a dançar-e-sapatear na minha frente. Tipo implorando por atenção, sabem?? Assim... um livro super carente, praticamente um sem-teto pedindo pra ser levado pra casa. Não deu outra: "Cooking - Segredos e Receitas" mora hoje na prateleira do meu cafofo. Domingo é dia das mães e já vai ter receitinha nova tirada dele, uma vez que sou eu a encarregada do almoço todos os anos. Nham, nham!

Isso é que dá beber dentro de shopping. Da outra vez foi na abertura da L'Occitane do Conjunto Nacional. Cheguei lá com Dona Pri sem saber de nada, champanhezinho rolando e a gente saiu cheias de sacolas e sinos tocando na cabeça. O marketing é a alma do negócio. E o álcool também.

E vou te falar... a gente nem foi aproveitar o coquetel da Tok Stok que também tava abrindo no Iguatemi no andar de baixo ao-mesmo-tempo-agora que a Cultura, porque não tinha necessidade, néam? Fácil, fácil eu iria sair de lá com um sofá novo e mais um jogo de copos. Melhor e mais seguro voltar sóbria. Mas que sempre é divertido, disso eu não tenho dúvidas!!! Afinal, uma champanhota descompromissada numa quarta-feira não faz mal a ninguém!

Beijinhos fazendo tim-tim no shopping do meu quintal.

PS. Só esta semana teve abertura de duas outras lojas com boca-livre com tudo que você tem direito. Passei longe, não se preocupem. Até porque, babies, os mimos que vendem nelas começam todos com quatro dígitos!!! Nem com muita cachaça eu encaro!! Hahahahaha.

segunda-feira, maio 03, 2010

Por isso é que eu canto e não posso parar


Tenho saudade do tempo em que eu assobiava e chupava cana. Do tempo em que eu não tinha tempo pra nada e ao mesmo tempo arrumava tempo pra tudo. Dois empregos, uma faculdade, curso de inglês, cursinho pra concurso, academia, namorado, vida social... ufa! Ah, e eu ainda alimentava diariamente com textos criativos este adorável blog.

Tenho saudade do tempo em que eu conseguia pôr em prática meus vários projetos. Do tempo em que sentia tesão em inventar mais sarna pra me coçar e rir porque ninguém imaginava que que eu daria conta do recado. E eu achava a coisa mais normal do mundo porque sempre dava certo. Afinal, sempre fui assim.

Tenho me sentido estagnada. Velha. Ando cansada, bem cansada. Não sei o que está havendo. Há alguns meses me vejo tentando colocar tudo o que tenho vontade em prática mas não consigo. Eu-não-consigo, entendem? Administrar meu tempo tá difícil. Ou melhor, o excesso dele. E então me dei conta de que não sei lidar com tanto tempo livre. Você consegue? Parabéns pra você. Eu não.

Hoje me gabo por trabalhar somente até as 14h30. Muitos morrem de inveja e não se contêm em dizer isso pra mim. Imaginem... saio do trabalho com o sol ardendo, horário comercial sobrando pra resolver coisas, dias lindos, tempo pra ir ao cinema, ler um bom livro, escrever no blog, malhar o corpinho-de-mulher-de-30-anos, encontrar os amigos, fazer novos cursos, experimentar aquela receita nova na minha cozinha. E sabem? Eu não faço nada disso. Vez ou outra ainda arrisco uma coisinha aqui, outra ali. Entro no meu cafofo, ponho uma camisola e vejo o tempo passar. Enrolo e me enrolo que não produzo nada. E isso me dói.

Tô sofrendo. E sei que a única pessoa capaz de mudar tudo isso sou eu. Não é preguiça, não é indisposição. E eu não sei o que é. Quero arrumar minhas gavetas, quero jogar meus papéis fora, quero organizar minha vida e meus pensamentos. Quando a coisa acumula e me vejo incapaz de me mover, só consigo chorar. E choro como um bebê, então me escondo ainda mais dentro do meu mundo. Um mundo que não gira. Isso tem me causado uma tristeza profunda. Essa incapacidade de me administrar está me matando. Cadê a Mayra que sempre esteve aqui???

Acordo todos os dias cheia de energia pra ir trabalhar. A energia que sempre tive pra muitas coisas. Dou o melhor que posso enquanto estou na labuta. Até esqueço os minutos que se contam pra bater o ponto ao ir embora. Eu gosto do que faço, já disse isso aqui. Mas não consigo pensar em me ver com essa atual rotina nos próximos meses, próximos anos. Será que preciso de uma catapulta pra me projetar pra frente? Nunca fui assim!!!

Isso é um desabafo. Uma maneira que encontrei de dizer a mim mesma: Mayra, levanta essa bunda daí e vai correr atrás dos seus sonhos!!! Cadê o mestrado que você se prometeu fazer? Cadê aquele curso de culinária que você queria tanto? Cadê o curso de inglês que você não terminou até hoje? Cadê os projetos da fotonovela, dos textos do blog e de tantas outras coisas que você já listou e quis realizar? E aqueles livros todos que você comprou num último surto de consumo que estão criando teias de aranha na sua prateleira? Está tudo engavetado na estante do esquecimento.

E hoje eu acordei determinada. Certa de que chegou a hora de pôr um ponto final nesse marasmo. O final de semana foi meio triste. Tentei me movimentar e não consegui. Fiquei mais triste ainda. Chorei muito. Conversei com amigos, com minha prima querida, que me disseram palavras que me fizeram querer levantar hoje da cama, assobiando e chupando cana como eu sempre fiz. E eu resolvi que já passou da hora de recitar como um mantra aquela frase da música do Chico Science que eu sempre gostei: "Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar".

Atenção, mundo, aqui vou eu.

Beijinhos de injeção de ânimo porque o mundo precisa girar e eu não posso ficar parada vendo isso acontecer da minha janela.

quinta-feira, abril 22, 2010

É porque eu gosto taaanto de você


Eu tenho inveja de Brasília.

Porque ela cinquentona é cheia de curvas e retas que eu aos 34 anos não tenho.

Porque é moderna, arrojada e espaçosa. Se eu me atrever a ser tudo isso junto vou ser chamada de piriguete. Ela não.

Porque sua lógica urbanística é feita de letras e números e eu adoro não ter que decorar nomes de ruas e avenidas. Planos cartesianos fazem mais sentido na vida das pessoas.

Porque não tem esquina. Tem cantos e isso é suficiente. E não tem travessas nem cruzamentos.

Porque acolhe sem preconceito nativos de todos os estados do país. E faz dos nascidos nela, pessoas que se interessam em conhecer o resto do Brasil.

Porque daqui, todos os caminhos levam para Unaí. Eu não sei o que tem lá, mas sei que é fácil de chegar.

Porque tem personalidade a ponto de quem a visita pela primeira vez amá-la ou odiá-la. Odiou? Volta pra casa, simples assim.

Porque aqui não se buzina. Odeio cinquentonas histéricas.

Porque é poderosa. E sim, pode tudo.

Porque é um avião. Precisa dizer mais? Fiu-fiu!

Porque tem vias largas, eixos que se cruzam e monumentos magníficos que deixam quem a vê pela primeira vez boquiabertos.

Porque tem um pôr-do-sol ci-ne-ma-to-grá-fi-co. E não adianta dizer que o da sua terra é mais bonito. Não é.

Porque tem um clima muito doido. No entanto, nos manda pra cachoeiras nos arredores na seca e nos faz reunir os amigos na época de chuvas.

Porque tem o maior mastro em aço de bandeira do mundo. E a menor sala de cinema do mundo também.

Porque tem o Beirute, o Xique-Xique, o Careca e a Pizzaria Dom Bosco. Atóóóro ir pra lá quando na dúvida do que comer e do que beber.

Porque tem um foguete no Parque Ana Lídia que todo mundo brincou quando criança.

Porque tem a presença do JK pra todo lado. E eu gosto do JK.

Porque aqui é a cidade do rock, a cidade do chorinho e a cidade da esperança.

Porque aqui se pára na faixa de pedestres, inclusive pros Dragões da Independência atravessarem.

Porque ver batedores na rua (des)organizando o trânsito é lugar-comum. E encontrar o Presidente da República em eventos também.

Porque é ótimo dizer "tô na ponte" quando ainda nem saiu de casa. E porque tem uma ponte linda que imita o movimento da pedrinha quando jogada na água.

Porque eu me emociono até hoje quando desço a Esplanada no fim da tarde, com a luz linda depois de uma chuva e vejo que a maquete criou status de cidade grande.

Porque foi a cidade que meus pais escolheram e acolheram como deles. Porque eu nasci aqui, fui criada aqui e não faz parte dos meus planos ir embora tão cedo.

Pensando bem, acho que não é inveja não... é admiração. Muuuuita admiração.

Beijinhos de "é pique, é hora, rá-tim-bum" pra essa cidade linda!

segunda-feira, abril 19, 2010

Que leitE quentE, tchê!


Recentemente viajei bastante a trabalho. Estive em Fortaleza, Rio, Porto Alegre e Curitiba. Nessas viagens a gente rala muito, dorme pouco e ainda se diverte com a equipe. Se não relaxar, não há trabalho que dignifique o homem, não é mesmo?

Mas eu preciso desabafar (sob risco de ser apedrejada, eu sei). Estive pela terceira vez na minha vida na capital gaúcha e, infelizmente, ela não conseguiu me encantar de novo. Nada a ver com meu trabalho, que correu bem e deu tudo certo. O lance é o charme de Porto Alegre, ou a falta dele, não sei. Se existe, preciso descobrir. Já tentei entender o que é que a cidade tem pra oferecer e não consigo ver nada que me faça querer voltar, com todo respeito aos nativos de lá. O rio Guaíba e suas proximidades parece ser o único cartão postal da cidade. O centro está descuidado, sujo e sempre muito escuro e sombrio. As ruas estreitas e os altos prédios dão uma sensação de opressão que eu não consigo me adaptar. Vai ver é porque eu sou de uma cidade ampla, com muito verde e sem arranha-céus. Será?

Conheci Curitiba no carnaval deste ano. Depois de muito ouvir falar (bem) de lá, estive por uma semana numa das cidades mais bem organizadas em que já estive. Bem organizada e bonita. Curitiba é arejada, limpa, agradável. Quanto aos curitibanos, não sei dizer. Mesmo ficando por lá 8 dias não conheci nenhum. Neste último final de semana retornei pra trabalhar e tive e mesma impressão de antes: Curitiba é o máximo! E acho que essa impressão ficou ainda mais presente por chegar lá vindo de PoA. Acho que rolou um choque cultural, sem querer ofender os gaúchos. A capital do Paraná só perde pros pampas no quesito "beleza-e-simpatia-das-pessoas", o que é um fator importantíssimo, vamos combinar.

Eu sou uma pessoa positiva, sabe? E me proponho sempre a insistir até que a coisa se resolva. Faço isso com tudo em minha vida. Não sei se é otimismo ou teimosia. Só sei que não desisto fácil. E como eu sou insistente, ainda quero voltar a Porto Alegre pra conhecer a tal cena musical de que tanto falam. Rock and roll na veia? Não vi muita coisa. Mas dá pra notar que as pessoas têm uma certa atitude diferente dos outros lugares. Bairrismo? Talvez. Até porque lá é o único lugar do país onde se toca o hino do estado antes do hino nacional e todos os presentes cantam em alto e bom som. É de emocionar, confesso. E eu nem sei o hino do DF, pensem... E você, sabe o hino do seu estado na ponta da língua?

Beijinhos de quem quer iniciar uma sequência de viagens a passeio.

terça-feira, março 02, 2010

Doida a ponto de rasgar dinheiro? Nem tanto...


Todo mundo estranha, mas é porque todo mundo pensa igual. Só que quando eu digo que se ganhar na Mega Sena um dia vou trabalhar bo-ni-ti-nha na segunda-feira, ninguém acredita. E eu estou falando sério. Não é porque quero fingir naturalidade ou que não ganhei nada pra fugir dos interesseiros de plantão. É porque, simplesmente, não consigo me imaginar cheia da grana e sem trabalhar. Desculpaí, mas não consigo não. Então sempre me dizem:

- Mas Mayra, você pode trabalhar... mas trabalhar no que gosta.

E quem disse que eu não gosto do que eu faço???? E quem foi que falou que eu passei 12 anos na universidade fazendo 4 cursos e mais 4 anos estudando pra um concurso, o qual eu passei, para largar tudo porque agora terei dinheiro pra dar e vender? Eu não. Felicidade não se compra, já falou alguém um dia.

Ter dinheiro é bom, mas juntar o útil ao agradável é muito melhor. Já pensou poder viajar no final de semana pra jantar em Paris depois de uma semana cheia no trampo? Ser a primeirona a ter aquele carro lindo que acabaram de lançar e que você ficou louca quando viu o comercial na televisão... à vista? Tomar um porre e poder levar suas melhores amigas pra dar um rolé em Nova Iorque por sua conta naquele feriado que, antes de ganhar o prêmio, vocês combinaram que iriam passar gastando na Zé Paulino, em Sampa? Você aí pode me chamar de doida ou dizer que aindei bebendo gás. Mas eu digo e repito: eu iria trabalhar na segunda-feira bo-ni-ti-nha. Com um sorriso de orelha a orelha, é claro, não vou negar.

Recentemente, depois de fazer um jogo e sonhar, como todo mundo faz quando sai da lotérica, comentei que aplicaria boa parte do dinheiro, faria comprinhas com outra e ajudaria algumas pessoas com outro montante. Uns amigos do trabalho logo disseram:

- Ah, eu também faria isso. Mas pegaria o dinheiro e iria viajar por um bom tempo. Trabalhar? Nem tão cedo!

Parei, pensei e fiquei imaginando essa possibilidade. Viajar é bom. Dar um tempo de tudo e conhecer lugares novos também. Mas por quanto tempo? Acho que isso enjoa uma hora, né? E antes que eu me manifestasse, dizendo que estaria bo-ni-ti-nha fazendo login no meu computador do trabalho na segunda-feira, lembrei: estou em estágio probatório! E sabem o que isso significa? Que se eu ganhar na Mega Sena hoje e quiser largar tudo, é largar tudo mesmo!!! Não se some do mapa antes dos 3 primeiros anos de estágio. Não se pede licença (nem que seja sem vencimentos) nessas condições. E se eu enjoasse de saracotear e resolvesse voltar? Daria não. Teria jogado meus anos de estudo pela janela só porque virei milionária. Doida eu? Ah, muda o adjetivo porque você já me chamou disso hoje.

A gente surta de tal modo com todas as possibilidades que surgem quando vemos tantos zeros poderem fazer parte da nossa conta bancária, que uma figura certa vez me disse que se ganhasse na loteria, a primeira providência dela seria entrar no trabalho espalhando bofete na cara de todo mundo que ela não gosta. Eu hein. Faço isso não. Como disse o poeta, "a inveja é uma merda". Quer maneira mais sublime de fazer seus desafetos passarem raiva? Bate em ninguém não, colega, sorri gostoso e sai pro abraço: ganha na Mega Sena ou se conforma. Simples assim. Desse jeito, você continua levando sua vidinha boa, mantém as amizades e realiza seus sonhos sempre que eles surgirem. Ou vai agora querer me dizer que nasceu pra ser uma Paris Hilton e quer viver na futilidade? Diga isso e será uma pessoa rica, triste... e sozinha.

Beijinhos de quem não ganhou dessa vez e que chegou segunda-feira bo-ni-ti-nha pra trabalhar, sem que o mundo tenha se acabado por conta disso.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Mas eu só quero é ser feliz


Eu bem que tentei fazer "malhação inteligente". Deu muito certo não. Te conto.

Já tem um tempinho que voltei a malhar. Assim... regularmente, tem pouco tempo, confesso. Antes eu pagava mais que frequentava, mas resolvir acabar com isso e levar à sério o tratamento da coluna e valorizar meu suado dinheirinho. Malho numa academia banbanban de Brasília, daquelas metidas a besta e cheia de pessoas lindas-gostosas-e-saradas. Um colírio pros olhos. E pára por aí. Morro de preguiça desse tipo de ambiente. Prontofalei.

Pois bem, lá ia eu pra ginástica munida do meu inseparável livro, pagando de intelectual. Tá, completamente wannabe, concordo. Enquanto enfrentava meus 40 minutos na bicicleta, lia tranquilamente sem perceber que o tempo passava. Funcionava bem. Só que quando chegava na hora dos exercícios de musculação, o livro virava um trambolho que eu não sabia onde colocar. Só restava o chão. E vamos combinar que quem tem amor aos livros, não acha a melhor coisa do mundo colocá-los num piso todo sujo de suor, néam? A tal "malhação inteligente" só funcionava enquanto estava na ergometria. Depois virava "malhação inconveniente". Chato isso. Sem contar que o humor mudava drasticamente e a vontade de sair correndo de lá só crescia. Só que eu não podia. Ou melhor, não devia.

Tive que mudar de estratégia. Resolvi turbinar meu iPod pra ver se substituía a leitura e me distraía durante as pedaladas. Deu certo. Demorou pra encontrar a trilha sonora perfeita. No início resolvi remar contra a maré e ouvir músicas calmas, interiorizar a proposta de esse-é-um-momento-muito-meu. Só uma louca mesmo pra querer meditar enquanto queima calorias com dezenas de pessoas ligadas nos 220W ao redor, concordam? Foi aí que resolvi mudar meu set list e minha vida também mudou.

Analisando os quase 40G de música que possuo no computador, fui jogando no mp3 player tudo que eu achava que podia ser animado. Até a pasta de "funks cariocas", me passada tempos atrás por um colega do trabalho que tinha acabado de chegar do Rio com as novidades do gênero, foi parar lá dentro. Eu nem imaginava que encontraria ali a libertação.

Sentada na bicicleta, pus as músicas no "shuffle" e fui pedalar feliz. Róquênrôu, MPB e música pop se alternavam em meus ouvidos. Até que de repente, não mais que de repente, começou um funkão daqueles "de com força", sabe? Daqueles cheios de palavras de baixo calão que vc chega a olhar pros lados pra ver se tem mais alguém ouvindo. Constatei que era exclusividade minha e aumentei o volume pra escutar direito:

"Não gosto de peru pequenoooooooooo. Eu gosto é de xereca grandeeeeeeeeeeee! Tum, tuntuntuntum! Olha o batidããããão". Rapaz!!! Isso caiu como uma luva!!! Ativou a endorfina que foi uma beleza!!! Destrambelhei a pedalar feito louca, animadésima... e ouvindo baixaria!!! Porque... como diz uma amiga minha, "eu sou uma lady, porra!".

Tive um breve momento, confesso de novo, de que-que-isso-que-cê-tá-ouvindo-Mayra? Mas passou logo. Mentalizei o mantra "Tá no inferno, abraça o capeta" e segui firme subindo minha ladeira de bike. Malhação braba, brother.

"Caolha, nariz de tomada, sem bunda, perneta, corpo de minhoca, banguela, orelhuda, tem unha encravada, com peito caído e um caroço nas costas. Ih! Eu sou a dona Gigi...".

Hahahahaha (sim, comecei a rir muito sozinha, pagando o mico básico de quem tá com fone de ouvido e esquece que o mundo a sua volta não está compartilhando aquilo). Bom demais isso!!! A gostosona, futura candidata a BBB que corria na esteira ao meu lado, me olhou com cara de desdém. Beijomeliga, minha filha. Aposto que você tá ouvindo aquela chata da Rihanna. Não conhece ainda os reais prazeres da vida, tadinha...

No medo de perder o controle das coisas quando partisse pra musculação, mantive a seleção: "Seu pittbull é Lassie, tu é rosa ou margarida? Tu tem marra de Sansão, mas tu é Dalila. Tu é Dalilaaaa. Tu é Dalilaaaaaaa"! E eu lá, trabalhando os glúteos na tal cadeira abdutora. A cada "Dalilaaaaa" o momento sincronizava com a hora de fazer força e soltar o ar. Sen-sa-cio-nal. Como não descobri isso antes??

Eis que chega o momento fatídico: a abdominal. Vou contar só pra você que eu detesto abdominais mas vou ter que admitir que fazer esse exercício ouvindo "Sou eu Bola de Fogo, E o calor tá de matar, Vai ser na praia da Barra, Que uma moda eu vou lançar. Vai me enterrar na areia? Não, não vou atolar" são outros quinhentos. No refrão ("tô ficando atoladiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha") eu me concentrava toda pra fazer os movimentos. As abdominais nunca mais serão as mesmas depois do MC Marcinho.

Pra fechar, no alongamento, adotei a paródia de "Tédio", do Biquíni Cavadão, carinhosamente chamada de "Adultério", do Mr. Catra. Vamos lá, acompanhe o refrão cantando no ritmo que você conhece e aproveite pra entrar pra minha turma:

"Na 4x4 o tempo voa
Whisky e Red Bull
Quanta mulé boa
O pau tá ficando duro
O bagulho tá sério,
Vai rolar o adultério"

Exatos 15 segundos!!!! O suficiente pra ficar em cada posição e alongar tuuuuuudo!!!! Diz aí se não é a fórmula mágica pra fazer qualquer wannabe gostar de academias? Tá, eu sei que não é nenhuma poesia, mas resolve direitinho a questão a que se propõe. A coisa tá dando tão certo que eu agora vivo procurando novos funks pra baixar e garantir presença na academia. Saio de lá me sentindo a própria popozuda. Afinal, a proposta não é exatamente essa??? Se liga no batidão, mané!!!

Beijinho com a mão no joelho e dando uma abaixadinha na aula de agachamento.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

O barato que sai caro


Sempre fui rata de promoções. Adoro, não vou mentir. Seja daquelas pra escrever uma frase criativa ou que dão descontos em estabelecimentos. Tô sempre ligada em tudo. Tô-nem-aí. Tem gente que acha cafona e tem até vergonha de imprimir um simples cupom. Eu não. Cheguei até, tempos atrás, a me inscrever num site (acho que hoje já falecido, nem sei) que informava por email as promoções via internet que estivessem rolando, com atualizações. Show de bola.

Pois bem, começou esta semana o Restaurant Week, pequeno festival gastronômico beneficente que inclui um montão de restaurantes bacanas da cidade por precinhos camaradas. Semanas antes eu já tava de olho na lista básica de lugares que entrariam no meu itinerário da gula. O bom nessas promoções é que você aproveita pra conhecer restaurantes que nunca foi. Ou porque não te interessavam ou porque não tinha dinheiro pra dar numa reles refeição. Ou não queria mesmo.

Só que eu sou uma curiosa-viciada-alucinada por conhecer restaurantes, bares, bistrôs, lanchonetes e tudo o que envolver comida que seja novo. Vou sem medo de ser feliz. Já quebrei a cara diversas vezes e também já saí extremamente satisfeita. Sempre disse: "não tenho o menor problema em gastar com comida". Não mesmo. E se for promoção então, aí é que eu me empolgo mesmo.

Claro que a gente sempre tem aqueles "lugarzinhos" (Luís Fernando Verissimo tem um texto ótimo sobre isso, inclusive, no livro "A Mesa Voadora") que a gente gosta, indica e quer voltar. E aqueles lugares que a gente tem reservados para ocasiões especiais.

Esta semana fui estrear minha peregrinação no festival num dos restaurantes mais caros de Brasília. Já havia ido 3 vezes, em momentos obviamente especiais e não me arrependi. Pelo contrário. Insistia em dizer "tudo lá é bom". Só que desde ontem, essa frase sai com ressalvas. Sabe o que é você chegar às 11h30 da manhã na porta do estabelecimento porque neguinho adora pagar de pobre e fazer fila antes do lugar abrir quando rola festival? Tudo porque não faziam reservas! Não dá nem pra escapar do mico sob pena de ficar sem mesa pra sentar. Fui, vi e venci. Com namorado e uma amiga a tiracolo, nos prontificamos a almoçar beeeeem. Sabe... comer bem de verdade? Sair feliz e contente por apreciar a alta gastronomia num dia comum? Pois é, só que foi um fiasco. Comida pouca, muito gordurosa e salgada. O bolo de chocolate da sobremesa se esfarelava feito pão guardado dentro do saco há duas semanas. Triste de dar dó. Pedimos um café pra arrematar porque esse aí "não dava pra errar", né?

Saímos frustrados, com um sentimento profundo de querer dar uma segunda chance pro lugar. Será que merece? Ficaram as dúvidas: pra pagar pouco é necessário baixar a qualidade? Pra comermos bem temos que deixar uma córnea como pagamento, como diria minha amiga Pri? O que é que houve??

À noite, lá fui eu pra outro restaurante-metido-a-besta da cidade, também já testado por mim em ocasiões normais e dei de cara com um maître munido de sua incontestável lista de... reservas. Dancei, não tinha feito uma. Na verdade, me irritei, sabe? Logo me veio o pensamento: pra que correr atrás de promoção se eu posso pagar pra comer bem e sair satisfeita? Como diria outra amiga: TTL (Tudo Tem Limite)!! Segui com o namorado pra um restaurante bacanoso da cidade, a poucos quilômetros dali e me senti a pessoa mais feliz do mundo: atendimento exemplar, refeição maravilhosa, ambiente super agradável e conta razoável. O sorriso e a satisfação eram tantos que deixamos 20% de taxa de serviço, por merecimento.

O festival continua. E eu sou teimosa. Vou continuar tentando. Sou brasileira e não desisto nunca. O legal é que agora o sentido da coisa mudou. Em vez de ir experimentar lugares novos, estou indo desmistificar aqueles lugares tidos como "perfeitos". Bom que o estímulo agora é maior. Alguma coisa a gente tem que tirar disso, né não? Só que já tô me vendo "na torcida" pro lugar ser um fracasso e poder sair falando pra todo mundo a novidade... hehehe.

Beijinhos promocionais em tempos de liquidação.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Uma breve (e merecida) homenagem


Noventa anos. Seria essa a idade que Federico Fellini faria hoje se estivesse vivo. Era uma pré-adolescente quando meu pai me apresentou Amarcord, filme-ícone do cineasta que viria a ser meu preferido para sempre. Valeu, Dédi!

Vi "quase" todos os filmes dele e não me crucifico por isso. Alguns me bastam. Bastam tanto que vejo sempre que posso e falto bater palmas sozinha quando sobem os créditos. O que é bonito merece aplausos. Amarcord é uma ode à infância. Autobiográfico, singelo e lindo. Trilha sonora estonteante de Nino Rota que serviu de toque do meu celular por alguns anos. As expressões de "Tita", garoto-personagem principal, descobrindo o mundo são fantásticas. A mulher da tabacaria e seus seios sufocantes; o mendigo sanfoneiro; Volpina, a ninfomaníaca notívaga e Gradisca, uma delicadeza de mulher. Aliás, batizei de "Gradisca" nossa cachorrinha boxer que fez jus ao nome até o dia de sua morte.

Ensaio de Orquestra é uma obra de arte. La Dolce Vita é luxúria pura. Oito e Meio um delírio e Noites de Cabíria tem beleza e graça. E não pára por aí. Roma, Abismo de um Sonho, A estrada, Julieta dos Espíritos... Ah, a grande Giulietta Masina! Inspirou versos de Caetano e sofreu tanto com a morte do marido, Fellini, que não aguentou e morreu pouco depois... de amor.

Engraçado como ainda não consegui encontrar um cineasta contemporâneo que consiga dizer "adoro" ou "é um dos meus prediletos". Fellini me conquistou, me trouxe outro entendimento de cinema, roteiro e diversão. Alguns anos atrás aproveitei a mostra em homenagem aos 10 anos de sua morte pra ver e rever muitos de seus filmes no cinema. Afinal, na telona tudo fica mais divertido. Chorei, ri e me apaixonei mais ainda por esse que é e vai ser, na minha opinião, o maior criador de histórias de gente simples que sente o mundo como qualquer um de nós sabe sentir.

Viva Fellini!

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Um ano de copo sempre cheio!


Fácil mesmo é reclamar. Sempre. Percebi isso no último dia 31 ao acordar e, ainda na cama, fazer um breve balanço do meu ano de 2009. As primeiras impressões foram de um ano pesado, confuso, conturbado. "2009 foi péssimo, tomara que 2010 seja melhor", pensei. Então, num surto de boa vontade e otimismo (afinal, era o último dia do ano, dia de fazer resoluções), decidi olhar o copo meio cheio e abandonar a idéia de vê-lo meio vazio. Por que a gente sempre tem a tendência de lembrar somente dos momentos infelizes?

Exatamente um ano antes, no dia 31 de dezembro de 2008, fui acordada com um telefonema que mudaria minha vida: "Mayra, você passou no concurso do Senado! Saiu o resultado!". Hein??? Tinha ido passar o reveillon em Pirenópolis, cidadezinha histórica no interior do Goiás e estava sem internet e demais conexões com o mundo. Queria mesmo era descansar de um ano dedicado a muito estudo. Pulei da cama feito uma louca com o celular ainda no ouvido, gritando pra todos os lados e acordando todos os amigos que estavam na casa comigo: "Meu povo!!! Acooooorda!!!! Eu passeeeeeeeeeeei! Vamos comemorar". Tive o melhor reveillon da minha vida, com comemoração dupla. Foi assim que 2009 começou pra mim. E eu ainda insistindo em querer que tivesse sido ruim. Pode uma coisa dessas?

Em janeiro aconteceu o curso de formação, terceira fase e última pra ingressar de vez no serviço público. Eu e mais 38 batalhadores desconhecidos nos encontramos em sala de aula e passamos 10 dias em completa imersão. Compartilhando tensões, problemas e conquistas. Resumo da ópera: todos aprovados e uma amizade que hoje vale por uma vida.

Depois me vi solteira de novo e conhecendo gente nova pra esquecer dos males do mundo. Fiz do meu pai parceiro de baladas e nossas andanças me trouxeram uma nova amiga, colega de trabalho dele. Gente do bem que adorei fazer parte da minha vida.

Em junho vi minha avó querida fazer 80 anos em plena lucidez. Aliás, tenho achado que anda mais lúcida do que nunca. Tão ligada no mundo e em todos que às vezes até assusta. Felicidade muita depois de vê-la atravessar tantos momentos difíceis.

Em julho decidi sair novamente de casa, agora em outras circustâncias e montar meu cafofo. Lindo como deve ser. Fui pra um condomínio fofíssimo e lá fiz mais cinco novos amigos, vizinhos e agregados, pessoas bacanas com quem se pode contar pra pedir aquela famigerada xícara de açúcar. E outras coisas também.

No mês de agosto reencontrei duas amigas de infância que há muito não falava. Colocamos o papo em dia, relembramos histórias antigas e restabelecemos o contato. Nada melhor que preservar as amizades, ainda mais num ano cheio de acontecimentos.

Em outubro meu coração voltou a bater forte e ganhei um novo amor. Pessoa com quem tenho tido o enorme prazer de redescobrir o mundo.

E após muitos anos (arriscaria uns 8 ou 9), passei um natal em família no Piauí. Perto de mãe, pai, avó, irmã, tios, primos e todo mundo que sempre participou da minha vida desde que nasci. Foi um fim de ano feliz.

Fazendo as contas na ponta do lápis, foram 45 novos amigos, um excelente emprego, uma casa nova, um novo amor e, principalmente, a vontade de fazer de 2010 um ano tão bom... quanto foi 2009!!!! Tava reclamando de quê, hein? Diz aí!! 2009 foi show!!!

Que 2010 não seja 10, mas seja 100. Traga boas energias, muita paz no coração e coragem pra seguir (sempre) em frente. Ah, e vontade pra escrever muitos posts também! Aguardem que eu estou com a macaca!!!!

Beijinhos de ano novo de novo pra todos.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Programa Kamikaze


Todo ano é a mesma coisa. O natal vem chegando, a gente vai protelando e quando vê, tá em cima da hora e não resolveu nada. O que nos resta é fazer "programa kamikaze" e encarar shopping às vésperas do aniversário de Jesus. Sou radicalmente contra esse tipo de atividade. Tento me antecipar, mas sempre aparece aquele presente de última hora que a gente TEM que comprar. O mesmo que se jogar na cova dos leões.

Ontem foi meu último dia de compras em shopping e, admito, já estava absolutamente lotado. E a tendência é só piorar. A pessoa aqui estava no trabalho, cujo ar-condicionado fica no máximo, bombando de frio. Trabalho numa TV, lembram? Saio de casa toda empacotada, independente da previsão do tempo dizer que o sol estará escaldante. Tem chovido bastante por aqui, mas ontem, especialmente, resolveu fazer um calor-dos-infernos justamente quando eu saí do batente e me dirigi ao front, julgo Conjunto Nacional.

Etapa 1 - Estacionar

Resolvi bancar a esperta e entrar por uma entrada alternativa da garagem coberta. Não tinha fila nem placa de "lotado". Uhuuu!!! "Se dei bem", pensei. Niquí adentrei o recinto, carros, carros e mais carros estavam caoticamente tentando se organizar, sem respeitar a mão das vias do estacionamento. O calor matando, eu derretendo, porque meu carro, o Negão, além de todo preto por fora e por dentro, não tem ar. E eu ainda estava vestida de preto da cabeça aos pés, com direito a segunda pele térmica que comprei quando fui pra Europa. Tá, pode me chamar de doida que eu atendo. Depois de algumas voltas em círculo, encontrei enfim uma vaga.

Etapa 2 - Entrar no Shopping

Já que eu tava toda derretida mesmo, fui de escada. Um suor a mais, um a menos, não faria diferença. Pra minha sorte, o primeiro lance de escada dava de cara com a agência da Caixa Econômica Federal. Não, eu não sou correntista da CEF. Nem precisava fazer pagamento, mas entrei correndo no banco por um motivo nobre: tava geladinho, bem fresquinho e bom. Peguei uma senha e fiquei sentadinha, disfarçando, até o suor secar. Levantei como quem não quer nada, joguei a senha no lixo perto da minha vez e saí pra minha empreitada do dia.

Etapa 3 - As compras

Mulher organizada que sou, fiz listinha dos presentes e dos presenteados, com as devidas lojas onde precisaria ir. Segui meu roteiro direitinho e em menos de duas horas, tinha resolvido tudo. Ufa! Então me dei conta que o relógio batia perto das 5 da tarde e eu tinha esquecido de almoçar. Ahã. O estômago avisou.

Entrei no primeiro Burger King que apareceu na minha frente, pedi um Combo-cheio-de-coisas, acomodei minhas dezenas de sacolas e me fartei. No meio da refeição, lembrei também que tava usando uma tal segunda pele que tava me matando de calor e resolvi tirá-la ali mesmo, numa ginástica que só as mulheres conhecem, pra tirar uma blusa que está por baixo do que você está usando. Todo mundo me olhou, mas um adolescente passando gloss e rímel na mesa do lado chamou mais atenção. Eu disse um adolescente, entendeu o motivo?

Etapa 4 - Hora de ir pra casa

Eu e vinte mil sacolas descendo as escadas. Coloco todas no chão pra pagar o tíquete do estacionamento. Cadê a porra do tíquete? Pego a bolsa, tiro tudo de dentro (e uma fila enoooorme de impacientes atrás de mim esperando pra ir embora, pensem na aflição) e encontro o papelzinho. Pago, pego as sacolas e saio em busca do meu carro. Sim, perdi meu carro porque nunca lembro de decorar as tais referências de letras e números do estacionamento. Quando enfim o encontro, cadê a porra das chaves? Pois é, esqueci no guichê de pagamento.

Lá vou eu de novo, com minhas vinte mil sacolas, atrás da chave do carro. Chego lá equilibrando tudo nas duas únicas mãos que possuo, pego as chaves com a atendente e volto pra encontrar o Negão. Fi-nal-men-te consigo dar partida no carro pra ir embora. Niquí me aproximo da catraca, cadê o tíquete? Isso mesmo. Tinha caído no chão do estacionamento. Pode me chamar de lerda que eu atendo também. Lá vou eu de novo, voltar, procurar, xingar meia geração e bater minha cabeça no asfalto alguma vezes por ser tão lesada. Encontrei o papel com marcas de pneu, tive que voltar mais uma vez na atendente porque o prazo pra sair com ele tinha vencido, pus no bolso e consegui, de uma vez por todas, ir embora daquele lugar. Pra sempre. E sobrevivi.

Resumo da ópera: minha resolução número 1 de ano novo pra 2010 vai ser comprar TODOS os presentes do próximo natal pela internet. E não me venha com o papo de "eu sempre faço isso". Posso ser um pouquinho retardada? Tenho direito.

Beijinhos suicidas pra vocês.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Nunca tive um plano B

Ilustração: Seonna Hung

Outro dia numa roda de amigos que comentavam sobre as próximas eleições, bradavam sobre Dilmas, Ciros, Serras e Marinas. A discussão maior era em quem se votaria em 2010 pra cadeira do Planalto. Até então quieta, me questionaram sobre minha opção. Não tive dúvidas, respondi:

- Eu voto no Lula.
- Ah, então você vai votar no candidato ou candidata que ele apoiar, isso?
- Não. Eu voto no Lula. Só voto nele.
- Mayraaaa, hellooooo!!! O Lula não será candidato nas próximas eleições.
- Problema dele. Porque não sei votar em outra pessoa.

Entendam um detalhe interessantíssimo: desde que o mundo das urnas existe na minha vida; desde que me tornei uma legítima cidadã brasileira; desde que usei meu título de eleitor pela primeira vez aos 18 anos, em 1994... não passei uma única eleição sequer sem votar no Lula. Compreenderam o drama? Tipo... o cara sempre foi candidato, desde o meu primeiro voto! Oh céus!! O que fazer em 2010??? Nesse caso, acho que nem o Chapolin poderá me ajudar.

Resolvi fazer uma pequena retrospectiva de todas as eleições presidenciais por que já passei:

1994 - Lula X FHC
1998 - Lula X FHC
2002 - Lula X Serra
2006 - Lula X Alckmin

Nunca antes na história da minha vida, votei em outro candidato para presidente. Então percebo que 2010 será um ano diferente e que vai exigir de mim mais paciência, dedicação e comprometimento. Além de uma boa dose de disposição para aguentar a briga de foice que vai rolar. Sim, porque eu já estava no piloto automático, né? Nem precisava pensar muito porque convicção sempre foi um dos meus fortes. Era Lula na cabeça. E não se fala mais nisso.

Exercitando o lado Pollyanna (forever and ever!), ainda na tal roda de amigos, comentei que as próximas eleições serão, no mínimo, divertidas. Vamos ver uma retrospectiva de escândalos do governo Lula nos últimos 8 anos pipocando nos programas de TV, um monte de dissidências partidárias (troca-troca que praticamente pode-se chamar de suruba, vamos combinar), neguinho que era de esquerda agora defendendo a direita e vice-versa. Vai dar pra rir bastante e colocar a cabeça pra pensar.

Tá, tudo bem, vou ter que me conformar em "mudar" meu voto ano que vem. Mas não tem problema não, porque eu tenho a teoria de que o Lula tem um plano e eu vou rir muito se isso realmente rolar. O Brasil vai ganhar a Copa do Mundo em 2010, na África do Sul e ele vai entregar o governo pro sucessor com mais essa vitória. A popularidade vai estar bombando tanto positivamente (pra variar), e aí 4 anos depois, ele vai voltar pra presidência (contando com meu eterno voto, lógico), quando estará no posto vendo as Olimpíadas, conquista da gestão dele, serem sediadas no país. Bingo!

Ah, e até o Obama acha, gente. O Lula é "o cara". Hahahahaha.

Beijinhos completamente Lulistas e anti-PT (que fique bem claro).

sexta-feira, outubro 09, 2009

A senhora vai querer de que sabor?


Começou há três semanas. Desde então, meu celular toca religiosamente todos os dias depois das 18h, de números desconhecidos, sempre alguém pedindo uma pizza. E segue tocando até perto de meia-noite. Eu disse todos os dias. Não entendi nada no começo. "Pizza? Que pizza?? Pirou??". Fiquei bem irritada pra falar a verdade. "É engano, meu filho! Este número é particular". Depois de uma semana tentando acreditar, me convenci: meu número estava em algum lugar como sendo de uma pizzaria delivery. Ok. Coisas que acontecem só comigo.

Então perguntei pra um dos esfomeados que me ligava: "Vem cá, onde você pegou este número? Ah, num panfleto que distribuiram no Gama? Que ótimo, hein? E não tem um número fixo aí? Tem?? Então me passa por favor!!". Ligo lá e atendem num italiano chinfrim: "Bom Giorno". Bom giorno é a p** que te p**!!!! Não, eu não disse isso, mas tive muita vontade. "Olá, boa noite, tudo bem? Não, não quero pizza, quero apenas informar que vocês publicaram o número do meu celular no panfleto de vocês e que não aguento mais atender pedidos de pizza". A moça, muito educada e sem graça, me pede desculpas e conta que já mandaram fazer panfletos novos e com o número certo. Tá. E o que a gente faz com os antigos?? Nada, óbvio. Senta e atende novas ligações, Mayra.

Quando comentei com amigos, ouvi de muitos: "Ah Mayra, entra na brincadeira, anota os pedidos". Gente, eu sou doida, sou divertida, sou sarcástica... mas não sou uma pessoa má. Já pensou que horror você estar em casa com fome, pedir uma pizza, achar que ela vai chegar e ela nunca dar notícias de vida, porque um engraçadinho resolveu curtir com sua cara? E por conta de um erro que você não tem culpa nenhuma? Não, eu nunca faria isso. Mas também não disse pra ninguém fazer.

Outro dia lá em casa estava recebendo uns amigos e o telefone, como de praxe, destrambelhou a tocar. Final de semana, comprovadamente, as pessoas pedem mais pizzas, muitas pizzas. A amiga pega o telefone e resolve me dar uma força: "Não amigo, publicaram este número errado, ligue pro fixo". Depois de atender umas 10 ligações, se diz cansada. O marido então assume o telemarketing e resolve que vai se divertir um pouco. Foi o que eu disse: fazer eu não faço, mas não proibo ninguém de fazer nada. Devo confessar que nos divertimos MUITO. Nunca rimos tanto. A cada ligação, ele atendia falando numa língua diferente. Isso quando não oferecia os tipos mais esdrúxulos de sabores e ouvia, em 90% das vezes, toda sorte de palavrões. As pessoas ficam irritadas quando estão com fome, néam?

A brincadeira valeu por uma noite. Porque nas seguintes continuou a mesma rotina de sempre. Outro dia até fiz amizade. A moça ficou tão penalizada com a minha situação que até esqueceu da pizza. Começamos a conversar e ela me contou que passou por situação parecida, mas publicaram o número dela num outdoor de promoção de uma rádio. Foi mais fácil de resolver mas o celular dela tocou um bocado. E hoje é sexta-feira e tem feriado vindo aí. Meu telefone vai bombar, certamente. Já nem reclamo mais. Se tiver na balada, não atendo números desconhecidos. Se tiver dormindo, ponho no silencioso. E, tenho certeza, quando isso acabar, bem possível que eu entre em depressão. Afinal, é tão bom ouvir o telefone tocar quando se mora sozinha. Nem que seja engano e pra te pedirem uma pizza.

Beijinhos delivery de bom feriado pra todos.