quinta-feira, abril 22, 2010

É porque eu gosto taaanto de você


Eu tenho inveja de Brasília.

Porque ela cinquentona é cheia de curvas e retas que eu aos 34 anos não tenho.

Porque é moderna, arrojada e espaçosa. Se eu me atrever a ser tudo isso junto vou ser chamada de piriguete. Ela não.

Porque sua lógica urbanística é feita de letras e números e eu adoro não ter que decorar nomes de ruas e avenidas. Planos cartesianos fazem mais sentido na vida das pessoas.

Porque não tem esquina. Tem cantos e isso é suficiente. E não tem travessas nem cruzamentos.

Porque acolhe sem preconceito nativos de todos os estados do país. E faz dos nascidos nela, pessoas que se interessam em conhecer o resto do Brasil.

Porque daqui, todos os caminhos levam para Unaí. Eu não sei o que tem lá, mas sei que é fácil de chegar.

Porque tem personalidade a ponto de quem a visita pela primeira vez amá-la ou odiá-la. Odiou? Volta pra casa, simples assim.

Porque aqui não se buzina. Odeio cinquentonas histéricas.

Porque é poderosa. E sim, pode tudo.

Porque é um avião. Precisa dizer mais? Fiu-fiu!

Porque tem vias largas, eixos que se cruzam e monumentos magníficos que deixam quem a vê pela primeira vez boquiabertos.

Porque tem um pôr-do-sol ci-ne-ma-to-grá-fi-co. E não adianta dizer que o da sua terra é mais bonito. Não é.

Porque tem um clima muito doido. No entanto, nos manda pra cachoeiras nos arredores na seca e nos faz reunir os amigos na época de chuvas.

Porque tem o maior mastro em aço de bandeira do mundo. E a menor sala de cinema do mundo também.

Porque tem o Beirute, o Xique-Xique, o Careca e a Pizzaria Dom Bosco. Atóóóro ir pra lá quando na dúvida do que comer e do que beber.

Porque tem um foguete no Parque Ana Lídia que todo mundo brincou quando criança.

Porque tem a presença do JK pra todo lado. E eu gosto do JK.

Porque aqui é a cidade do rock, a cidade do chorinho e a cidade da esperança.

Porque aqui se pára na faixa de pedestres, inclusive pros Dragões da Independência atravessarem.

Porque ver batedores na rua (des)organizando o trânsito é lugar-comum. E encontrar o Presidente da República em eventos também.

Porque é ótimo dizer "tô na ponte" quando ainda nem saiu de casa. E porque tem uma ponte linda que imita o movimento da pedrinha quando jogada na água.

Porque eu me emociono até hoje quando desço a Esplanada no fim da tarde, com a luz linda depois de uma chuva e vejo que a maquete criou status de cidade grande.

Porque foi a cidade que meus pais escolheram e acolheram como deles. Porque eu nasci aqui, fui criada aqui e não faz parte dos meus planos ir embora tão cedo.

Pensando bem, acho que não é inveja não... é admiração. Muuuuita admiração.

Beijinhos de "é pique, é hora, rá-tim-bum" pra essa cidade linda!

segunda-feira, abril 19, 2010

Que leitE quentE, tchê!


Recentemente viajei bastante a trabalho. Estive em Fortaleza, Rio, Porto Alegre e Curitiba. Nessas viagens a gente rala muito, dorme pouco e ainda se diverte com a equipe. Se não relaxar, não há trabalho que dignifique o homem, não é mesmo?

Mas eu preciso desabafar (sob risco de ser apedrejada, eu sei). Estive pela terceira vez na minha vida na capital gaúcha e, infelizmente, ela não conseguiu me encantar de novo. Nada a ver com meu trabalho, que correu bem e deu tudo certo. O lance é o charme de Porto Alegre, ou a falta dele, não sei. Se existe, preciso descobrir. Já tentei entender o que é que a cidade tem pra oferecer e não consigo ver nada que me faça querer voltar, com todo respeito aos nativos de lá. O rio Guaíba e suas proximidades parece ser o único cartão postal da cidade. O centro está descuidado, sujo e sempre muito escuro e sombrio. As ruas estreitas e os altos prédios dão uma sensação de opressão que eu não consigo me adaptar. Vai ver é porque eu sou de uma cidade ampla, com muito verde e sem arranha-céus. Será?

Conheci Curitiba no carnaval deste ano. Depois de muito ouvir falar (bem) de lá, estive por uma semana numa das cidades mais bem organizadas em que já estive. Bem organizada e bonita. Curitiba é arejada, limpa, agradável. Quanto aos curitibanos, não sei dizer. Mesmo ficando por lá 8 dias não conheci nenhum. Neste último final de semana retornei pra trabalhar e tive e mesma impressão de antes: Curitiba é o máximo! E acho que essa impressão ficou ainda mais presente por chegar lá vindo de PoA. Acho que rolou um choque cultural, sem querer ofender os gaúchos. A capital do Paraná só perde pros pampas no quesito "beleza-e-simpatia-das-pessoas", o que é um fator importantíssimo, vamos combinar.

Eu sou uma pessoa positiva, sabe? E me proponho sempre a insistir até que a coisa se resolva. Faço isso com tudo em minha vida. Não sei se é otimismo ou teimosia. Só sei que não desisto fácil. E como eu sou insistente, ainda quero voltar a Porto Alegre pra conhecer a tal cena musical de que tanto falam. Rock and roll na veia? Não vi muita coisa. Mas dá pra notar que as pessoas têm uma certa atitude diferente dos outros lugares. Bairrismo? Talvez. Até porque lá é o único lugar do país onde se toca o hino do estado antes do hino nacional e todos os presentes cantam em alto e bom som. É de emocionar, confesso. E eu nem sei o hino do DF, pensem... E você, sabe o hino do seu estado na ponta da língua?

Beijinhos de quem quer iniciar uma sequência de viagens a passeio.

terça-feira, março 02, 2010

Doida a ponto de rasgar dinheiro? Nem tanto...


Todo mundo estranha, mas é porque todo mundo pensa igual. Só que quando eu digo que se ganhar na Mega Sena um dia vou trabalhar bo-ni-ti-nha na segunda-feira, ninguém acredita. E eu estou falando sério. Não é porque quero fingir naturalidade ou que não ganhei nada pra fugir dos interesseiros de plantão. É porque, simplesmente, não consigo me imaginar cheia da grana e sem trabalhar. Desculpaí, mas não consigo não. Então sempre me dizem:

- Mas Mayra, você pode trabalhar... mas trabalhar no que gosta.

E quem disse que eu não gosto do que eu faço???? E quem foi que falou que eu passei 12 anos na universidade fazendo 4 cursos e mais 4 anos estudando pra um concurso, o qual eu passei, para largar tudo porque agora terei dinheiro pra dar e vender? Eu não. Felicidade não se compra, já falou alguém um dia.

Ter dinheiro é bom, mas juntar o útil ao agradável é muito melhor. Já pensou poder viajar no final de semana pra jantar em Paris depois de uma semana cheia no trampo? Ser a primeirona a ter aquele carro lindo que acabaram de lançar e que você ficou louca quando viu o comercial na televisão... à vista? Tomar um porre e poder levar suas melhores amigas pra dar um rolé em Nova Iorque por sua conta naquele feriado que, antes de ganhar o prêmio, vocês combinaram que iriam passar gastando na Zé Paulino, em Sampa? Você aí pode me chamar de doida ou dizer que aindei bebendo gás. Mas eu digo e repito: eu iria trabalhar na segunda-feira bo-ni-ti-nha. Com um sorriso de orelha a orelha, é claro, não vou negar.

Recentemente, depois de fazer um jogo e sonhar, como todo mundo faz quando sai da lotérica, comentei que aplicaria boa parte do dinheiro, faria comprinhas com outra e ajudaria algumas pessoas com outro montante. Uns amigos do trabalho logo disseram:

- Ah, eu também faria isso. Mas pegaria o dinheiro e iria viajar por um bom tempo. Trabalhar? Nem tão cedo!

Parei, pensei e fiquei imaginando essa possibilidade. Viajar é bom. Dar um tempo de tudo e conhecer lugares novos também. Mas por quanto tempo? Acho que isso enjoa uma hora, né? E antes que eu me manifestasse, dizendo que estaria bo-ni-ti-nha fazendo login no meu computador do trabalho na segunda-feira, lembrei: estou em estágio probatório! E sabem o que isso significa? Que se eu ganhar na Mega Sena hoje e quiser largar tudo, é largar tudo mesmo!!! Não se some do mapa antes dos 3 primeiros anos de estágio. Não se pede licença (nem que seja sem vencimentos) nessas condições. E se eu enjoasse de saracotear e resolvesse voltar? Daria não. Teria jogado meus anos de estudo pela janela só porque virei milionária. Doida eu? Ah, muda o adjetivo porque você já me chamou disso hoje.

A gente surta de tal modo com todas as possibilidades que surgem quando vemos tantos zeros poderem fazer parte da nossa conta bancária, que uma figura certa vez me disse que se ganhasse na loteria, a primeira providência dela seria entrar no trabalho espalhando bofete na cara de todo mundo que ela não gosta. Eu hein. Faço isso não. Como disse o poeta, "a inveja é uma merda". Quer maneira mais sublime de fazer seus desafetos passarem raiva? Bate em ninguém não, colega, sorri gostoso e sai pro abraço: ganha na Mega Sena ou se conforma. Simples assim. Desse jeito, você continua levando sua vidinha boa, mantém as amizades e realiza seus sonhos sempre que eles surgirem. Ou vai agora querer me dizer que nasceu pra ser uma Paris Hilton e quer viver na futilidade? Diga isso e será uma pessoa rica, triste... e sozinha.

Beijinhos de quem não ganhou dessa vez e que chegou segunda-feira bo-ni-ti-nha pra trabalhar, sem que o mundo tenha se acabado por conta disso.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Mas eu só quero é ser feliz


Eu bem que tentei fazer "malhação inteligente". Deu muito certo não. Te conto.

Já tem um tempinho que voltei a malhar. Assim... regularmente, tem pouco tempo, confesso. Antes eu pagava mais que frequentava, mas resolvir acabar com isso e levar à sério o tratamento da coluna e valorizar meu suado dinheirinho. Malho numa academia banbanban de Brasília, daquelas metidas a besta e cheia de pessoas lindas-gostosas-e-saradas. Um colírio pros olhos. E pára por aí. Morro de preguiça desse tipo de ambiente. Prontofalei.

Pois bem, lá ia eu pra ginástica munida do meu inseparável livro, pagando de intelectual. Tá, completamente wannabe, concordo. Enquanto enfrentava meus 40 minutos na bicicleta, lia tranquilamente sem perceber que o tempo passava. Funcionava bem. Só que quando chegava na hora dos exercícios de musculação, o livro virava um trambolho que eu não sabia onde colocar. Só restava o chão. E vamos combinar que quem tem amor aos livros, não acha a melhor coisa do mundo colocá-los num piso todo sujo de suor, néam? A tal "malhação inteligente" só funcionava enquanto estava na ergometria. Depois virava "malhação inconveniente". Chato isso. Sem contar que o humor mudava drasticamente e a vontade de sair correndo de lá só crescia. Só que eu não podia. Ou melhor, não devia.

Tive que mudar de estratégia. Resolvi turbinar meu iPod pra ver se substituía a leitura e me distraía durante as pedaladas. Deu certo. Demorou pra encontrar a trilha sonora perfeita. No início resolvi remar contra a maré e ouvir músicas calmas, interiorizar a proposta de esse-é-um-momento-muito-meu. Só uma louca mesmo pra querer meditar enquanto queima calorias com dezenas de pessoas ligadas nos 220W ao redor, concordam? Foi aí que resolvi mudar meu set list e minha vida também mudou.

Analisando os quase 40G de música que possuo no computador, fui jogando no mp3 player tudo que eu achava que podia ser animado. Até a pasta de "funks cariocas", me passada tempos atrás por um colega do trabalho que tinha acabado de chegar do Rio com as novidades do gênero, foi parar lá dentro. Eu nem imaginava que encontraria ali a libertação.

Sentada na bicicleta, pus as músicas no "shuffle" e fui pedalar feliz. Róquênrôu, MPB e música pop se alternavam em meus ouvidos. Até que de repente, não mais que de repente, começou um funkão daqueles "de com força", sabe? Daqueles cheios de palavras de baixo calão que vc chega a olhar pros lados pra ver se tem mais alguém ouvindo. Constatei que era exclusividade minha e aumentei o volume pra escutar direito:

"Não gosto de peru pequenoooooooooo. Eu gosto é de xereca grandeeeeeeeeeeee! Tum, tuntuntuntum! Olha o batidããããão". Rapaz!!! Isso caiu como uma luva!!! Ativou a endorfina que foi uma beleza!!! Destrambelhei a pedalar feito louca, animadésima... e ouvindo baixaria!!! Porque... como diz uma amiga minha, "eu sou uma lady, porra!".

Tive um breve momento, confesso de novo, de que-que-isso-que-cê-tá-ouvindo-Mayra? Mas passou logo. Mentalizei o mantra "Tá no inferno, abraça o capeta" e segui firme subindo minha ladeira de bike. Malhação braba, brother.

"Caolha, nariz de tomada, sem bunda, perneta, corpo de minhoca, banguela, orelhuda, tem unha encravada, com peito caído e um caroço nas costas. Ih! Eu sou a dona Gigi...".

Hahahahaha (sim, comecei a rir muito sozinha, pagando o mico básico de quem tá com fone de ouvido e esquece que o mundo a sua volta não está compartilhando aquilo). Bom demais isso!!! A gostosona, futura candidata a BBB que corria na esteira ao meu lado, me olhou com cara de desdém. Beijomeliga, minha filha. Aposto que você tá ouvindo aquela chata da Rihanna. Não conhece ainda os reais prazeres da vida, tadinha...

No medo de perder o controle das coisas quando partisse pra musculação, mantive a seleção: "Seu pittbull é Lassie, tu é rosa ou margarida? Tu tem marra de Sansão, mas tu é Dalila. Tu é Dalilaaaa. Tu é Dalilaaaaaaa"! E eu lá, trabalhando os glúteos na tal cadeira abdutora. A cada "Dalilaaaaa" o momento sincronizava com a hora de fazer força e soltar o ar. Sen-sa-cio-nal. Como não descobri isso antes??

Eis que chega o momento fatídico: a abdominal. Vou contar só pra você que eu detesto abdominais mas vou ter que admitir que fazer esse exercício ouvindo "Sou eu Bola de Fogo, E o calor tá de matar, Vai ser na praia da Barra, Que uma moda eu vou lançar. Vai me enterrar na areia? Não, não vou atolar" são outros quinhentos. No refrão ("tô ficando atoladiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha") eu me concentrava toda pra fazer os movimentos. As abdominais nunca mais serão as mesmas depois do MC Marcinho.

Pra fechar, no alongamento, adotei a paródia de "Tédio", do Biquíni Cavadão, carinhosamente chamada de "Adultério", do Mr. Catra. Vamos lá, acompanhe o refrão cantando no ritmo que você conhece e aproveite pra entrar pra minha turma:

"Na 4x4 o tempo voa
Whisky e Red Bull
Quanta mulé boa
O pau tá ficando duro
O bagulho tá sério,
Vai rolar o adultério"

Exatos 15 segundos!!!! O suficiente pra ficar em cada posição e alongar tuuuuuudo!!!! Diz aí se não é a fórmula mágica pra fazer qualquer wannabe gostar de academias? Tá, eu sei que não é nenhuma poesia, mas resolve direitinho a questão a que se propõe. A coisa tá dando tão certo que eu agora vivo procurando novos funks pra baixar e garantir presença na academia. Saio de lá me sentindo a própria popozuda. Afinal, a proposta não é exatamente essa??? Se liga no batidão, mané!!!

Beijinho com a mão no joelho e dando uma abaixadinha na aula de agachamento.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

O barato que sai caro


Sempre fui rata de promoções. Adoro, não vou mentir. Seja daquelas pra escrever uma frase criativa ou que dão descontos em estabelecimentos. Tô sempre ligada em tudo. Tô-nem-aí. Tem gente que acha cafona e tem até vergonha de imprimir um simples cupom. Eu não. Cheguei até, tempos atrás, a me inscrever num site (acho que hoje já falecido, nem sei) que informava por email as promoções via internet que estivessem rolando, com atualizações. Show de bola.

Pois bem, começou esta semana o Restaurant Week, pequeno festival gastronômico beneficente que inclui um montão de restaurantes bacanas da cidade por precinhos camaradas. Semanas antes eu já tava de olho na lista básica de lugares que entrariam no meu itinerário da gula. O bom nessas promoções é que você aproveita pra conhecer restaurantes que nunca foi. Ou porque não te interessavam ou porque não tinha dinheiro pra dar numa reles refeição. Ou não queria mesmo.

Só que eu sou uma curiosa-viciada-alucinada por conhecer restaurantes, bares, bistrôs, lanchonetes e tudo o que envolver comida que seja novo. Vou sem medo de ser feliz. Já quebrei a cara diversas vezes e também já saí extremamente satisfeita. Sempre disse: "não tenho o menor problema em gastar com comida". Não mesmo. E se for promoção então, aí é que eu me empolgo mesmo.

Claro que a gente sempre tem aqueles "lugarzinhos" (Luís Fernando Verissimo tem um texto ótimo sobre isso, inclusive, no livro "A Mesa Voadora") que a gente gosta, indica e quer voltar. E aqueles lugares que a gente tem reservados para ocasiões especiais.

Esta semana fui estrear minha peregrinação no festival num dos restaurantes mais caros de Brasília. Já havia ido 3 vezes, em momentos obviamente especiais e não me arrependi. Pelo contrário. Insistia em dizer "tudo lá é bom". Só que desde ontem, essa frase sai com ressalvas. Sabe o que é você chegar às 11h30 da manhã na porta do estabelecimento porque neguinho adora pagar de pobre e fazer fila antes do lugar abrir quando rola festival? Tudo porque não faziam reservas! Não dá nem pra escapar do mico sob pena de ficar sem mesa pra sentar. Fui, vi e venci. Com namorado e uma amiga a tiracolo, nos prontificamos a almoçar beeeeem. Sabe... comer bem de verdade? Sair feliz e contente por apreciar a alta gastronomia num dia comum? Pois é, só que foi um fiasco. Comida pouca, muito gordurosa e salgada. O bolo de chocolate da sobremesa se esfarelava feito pão guardado dentro do saco há duas semanas. Triste de dar dó. Pedimos um café pra arrematar porque esse aí "não dava pra errar", né?

Saímos frustrados, com um sentimento profundo de querer dar uma segunda chance pro lugar. Será que merece? Ficaram as dúvidas: pra pagar pouco é necessário baixar a qualidade? Pra comermos bem temos que deixar uma córnea como pagamento, como diria minha amiga Pri? O que é que houve??

À noite, lá fui eu pra outro restaurante-metido-a-besta da cidade, também já testado por mim em ocasiões normais e dei de cara com um maître munido de sua incontestável lista de... reservas. Dancei, não tinha feito uma. Na verdade, me irritei, sabe? Logo me veio o pensamento: pra que correr atrás de promoção se eu posso pagar pra comer bem e sair satisfeita? Como diria outra amiga: TTL (Tudo Tem Limite)!! Segui com o namorado pra um restaurante bacanoso da cidade, a poucos quilômetros dali e me senti a pessoa mais feliz do mundo: atendimento exemplar, refeição maravilhosa, ambiente super agradável e conta razoável. O sorriso e a satisfação eram tantos que deixamos 20% de taxa de serviço, por merecimento.

O festival continua. E eu sou teimosa. Vou continuar tentando. Sou brasileira e não desisto nunca. O legal é que agora o sentido da coisa mudou. Em vez de ir experimentar lugares novos, estou indo desmistificar aqueles lugares tidos como "perfeitos". Bom que o estímulo agora é maior. Alguma coisa a gente tem que tirar disso, né não? Só que já tô me vendo "na torcida" pro lugar ser um fracasso e poder sair falando pra todo mundo a novidade... hehehe.

Beijinhos promocionais em tempos de liquidação.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Uma breve (e merecida) homenagem


Noventa anos. Seria essa a idade que Federico Fellini faria hoje se estivesse vivo. Era uma pré-adolescente quando meu pai me apresentou Amarcord, filme-ícone do cineasta que viria a ser meu preferido para sempre. Valeu, Dédi!

Vi "quase" todos os filmes dele e não me crucifico por isso. Alguns me bastam. Bastam tanto que vejo sempre que posso e falto bater palmas sozinha quando sobem os créditos. O que é bonito merece aplausos. Amarcord é uma ode à infância. Autobiográfico, singelo e lindo. Trilha sonora estonteante de Nino Rota que serviu de toque do meu celular por alguns anos. As expressões de "Tita", garoto-personagem principal, descobrindo o mundo são fantásticas. A mulher da tabacaria e seus seios sufocantes; o mendigo sanfoneiro; Volpina, a ninfomaníaca notívaga e Gradisca, uma delicadeza de mulher. Aliás, batizei de "Gradisca" nossa cachorrinha boxer que fez jus ao nome até o dia de sua morte.

Ensaio de Orquestra é uma obra de arte. La Dolce Vita é luxúria pura. Oito e Meio um delírio e Noites de Cabíria tem beleza e graça. E não pára por aí. Roma, Abismo de um Sonho, A estrada, Julieta dos Espíritos... Ah, a grande Giulietta Masina! Inspirou versos de Caetano e sofreu tanto com a morte do marido, Fellini, que não aguentou e morreu pouco depois... de amor.

Engraçado como ainda não consegui encontrar um cineasta contemporâneo que consiga dizer "adoro" ou "é um dos meus prediletos". Fellini me conquistou, me trouxe outro entendimento de cinema, roteiro e diversão. Alguns anos atrás aproveitei a mostra em homenagem aos 10 anos de sua morte pra ver e rever muitos de seus filmes no cinema. Afinal, na telona tudo fica mais divertido. Chorei, ri e me apaixonei mais ainda por esse que é e vai ser, na minha opinião, o maior criador de histórias de gente simples que sente o mundo como qualquer um de nós sabe sentir.

Viva Fellini!

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Um ano de copo sempre cheio!


Fácil mesmo é reclamar. Sempre. Percebi isso no último dia 31 ao acordar e, ainda na cama, fazer um breve balanço do meu ano de 2009. As primeiras impressões foram de um ano pesado, confuso, conturbado. "2009 foi péssimo, tomara que 2010 seja melhor", pensei. Então, num surto de boa vontade e otimismo (afinal, era o último dia do ano, dia de fazer resoluções), decidi olhar o copo meio cheio e abandonar a idéia de vê-lo meio vazio. Por que a gente sempre tem a tendência de lembrar somente dos momentos infelizes?

Exatamente um ano antes, no dia 31 de dezembro de 2008, fui acordada com um telefonema que mudaria minha vida: "Mayra, você passou no concurso do Senado! Saiu o resultado!". Hein??? Tinha ido passar o reveillon em Pirenópolis, cidadezinha histórica no interior do Goiás e estava sem internet e demais conexões com o mundo. Queria mesmo era descansar de um ano dedicado a muito estudo. Pulei da cama feito uma louca com o celular ainda no ouvido, gritando pra todos os lados e acordando todos os amigos que estavam na casa comigo: "Meu povo!!! Acooooorda!!!! Eu passeeeeeeeeeeei! Vamos comemorar". Tive o melhor reveillon da minha vida, com comemoração dupla. Foi assim que 2009 começou pra mim. E eu ainda insistindo em querer que tivesse sido ruim. Pode uma coisa dessas?

Em janeiro aconteceu o curso de formação, terceira fase e última pra ingressar de vez no serviço público. Eu e mais 38 batalhadores desconhecidos nos encontramos em sala de aula e passamos 10 dias em completa imersão. Compartilhando tensões, problemas e conquistas. Resumo da ópera: todos aprovados e uma amizade que hoje vale por uma vida.

Depois me vi solteira de novo e conhecendo gente nova pra esquecer dos males do mundo. Fiz do meu pai parceiro de baladas e nossas andanças me trouxeram uma nova amiga, colega de trabalho dele. Gente do bem que adorei fazer parte da minha vida.

Em junho vi minha avó querida fazer 80 anos em plena lucidez. Aliás, tenho achado que anda mais lúcida do que nunca. Tão ligada no mundo e em todos que às vezes até assusta. Felicidade muita depois de vê-la atravessar tantos momentos difíceis.

Em julho decidi sair novamente de casa, agora em outras circustâncias e montar meu cafofo. Lindo como deve ser. Fui pra um condomínio fofíssimo e lá fiz mais cinco novos amigos, vizinhos e agregados, pessoas bacanas com quem se pode contar pra pedir aquela famigerada xícara de açúcar. E outras coisas também.

No mês de agosto reencontrei duas amigas de infância que há muito não falava. Colocamos o papo em dia, relembramos histórias antigas e restabelecemos o contato. Nada melhor que preservar as amizades, ainda mais num ano cheio de acontecimentos.

Em outubro meu coração voltou a bater forte e ganhei um novo amor. Pessoa com quem tenho tido o enorme prazer de redescobrir o mundo.

E após muitos anos (arriscaria uns 8 ou 9), passei um natal em família no Piauí. Perto de mãe, pai, avó, irmã, tios, primos e todo mundo que sempre participou da minha vida desde que nasci. Foi um fim de ano feliz.

Fazendo as contas na ponta do lápis, foram 45 novos amigos, um excelente emprego, uma casa nova, um novo amor e, principalmente, a vontade de fazer de 2010 um ano tão bom... quanto foi 2009!!!! Tava reclamando de quê, hein? Diz aí!! 2009 foi show!!!

Que 2010 não seja 10, mas seja 100. Traga boas energias, muita paz no coração e coragem pra seguir (sempre) em frente. Ah, e vontade pra escrever muitos posts também! Aguardem que eu estou com a macaca!!!!

Beijinhos de ano novo de novo pra todos.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Programa Kamikaze


Todo ano é a mesma coisa. O natal vem chegando, a gente vai protelando e quando vê, tá em cima da hora e não resolveu nada. O que nos resta é fazer "programa kamikaze" e encarar shopping às vésperas do aniversário de Jesus. Sou radicalmente contra esse tipo de atividade. Tento me antecipar, mas sempre aparece aquele presente de última hora que a gente TEM que comprar. O mesmo que se jogar na cova dos leões.

Ontem foi meu último dia de compras em shopping e, admito, já estava absolutamente lotado. E a tendência é só piorar. A pessoa aqui estava no trabalho, cujo ar-condicionado fica no máximo, bombando de frio. Trabalho numa TV, lembram? Saio de casa toda empacotada, independente da previsão do tempo dizer que o sol estará escaldante. Tem chovido bastante por aqui, mas ontem, especialmente, resolveu fazer um calor-dos-infernos justamente quando eu saí do batente e me dirigi ao front, julgo Conjunto Nacional.

Etapa 1 - Estacionar

Resolvi bancar a esperta e entrar por uma entrada alternativa da garagem coberta. Não tinha fila nem placa de "lotado". Uhuuu!!! "Se dei bem", pensei. Niquí adentrei o recinto, carros, carros e mais carros estavam caoticamente tentando se organizar, sem respeitar a mão das vias do estacionamento. O calor matando, eu derretendo, porque meu carro, o Negão, além de todo preto por fora e por dentro, não tem ar. E eu ainda estava vestida de preto da cabeça aos pés, com direito a segunda pele térmica que comprei quando fui pra Europa. Tá, pode me chamar de doida que eu atendo. Depois de algumas voltas em círculo, encontrei enfim uma vaga.

Etapa 2 - Entrar no Shopping

Já que eu tava toda derretida mesmo, fui de escada. Um suor a mais, um a menos, não faria diferença. Pra minha sorte, o primeiro lance de escada dava de cara com a agência da Caixa Econômica Federal. Não, eu não sou correntista da CEF. Nem precisava fazer pagamento, mas entrei correndo no banco por um motivo nobre: tava geladinho, bem fresquinho e bom. Peguei uma senha e fiquei sentadinha, disfarçando, até o suor secar. Levantei como quem não quer nada, joguei a senha no lixo perto da minha vez e saí pra minha empreitada do dia.

Etapa 3 - As compras

Mulher organizada que sou, fiz listinha dos presentes e dos presenteados, com as devidas lojas onde precisaria ir. Segui meu roteiro direitinho e em menos de duas horas, tinha resolvido tudo. Ufa! Então me dei conta que o relógio batia perto das 5 da tarde e eu tinha esquecido de almoçar. Ahã. O estômago avisou.

Entrei no primeiro Burger King que apareceu na minha frente, pedi um Combo-cheio-de-coisas, acomodei minhas dezenas de sacolas e me fartei. No meio da refeição, lembrei também que tava usando uma tal segunda pele que tava me matando de calor e resolvi tirá-la ali mesmo, numa ginástica que só as mulheres conhecem, pra tirar uma blusa que está por baixo do que você está usando. Todo mundo me olhou, mas um adolescente passando gloss e rímel na mesa do lado chamou mais atenção. Eu disse um adolescente, entendeu o motivo?

Etapa 4 - Hora de ir pra casa

Eu e vinte mil sacolas descendo as escadas. Coloco todas no chão pra pagar o tíquete do estacionamento. Cadê a porra do tíquete? Pego a bolsa, tiro tudo de dentro (e uma fila enoooorme de impacientes atrás de mim esperando pra ir embora, pensem na aflição) e encontro o papelzinho. Pago, pego as sacolas e saio em busca do meu carro. Sim, perdi meu carro porque nunca lembro de decorar as tais referências de letras e números do estacionamento. Quando enfim o encontro, cadê a porra das chaves? Pois é, esqueci no guichê de pagamento.

Lá vou eu de novo, com minhas vinte mil sacolas, atrás da chave do carro. Chego lá equilibrando tudo nas duas únicas mãos que possuo, pego as chaves com a atendente e volto pra encontrar o Negão. Fi-nal-men-te consigo dar partida no carro pra ir embora. Niquí me aproximo da catraca, cadê o tíquete? Isso mesmo. Tinha caído no chão do estacionamento. Pode me chamar de lerda que eu atendo também. Lá vou eu de novo, voltar, procurar, xingar meia geração e bater minha cabeça no asfalto alguma vezes por ser tão lesada. Encontrei o papel com marcas de pneu, tive que voltar mais uma vez na atendente porque o prazo pra sair com ele tinha vencido, pus no bolso e consegui, de uma vez por todas, ir embora daquele lugar. Pra sempre. E sobrevivi.

Resumo da ópera: minha resolução número 1 de ano novo pra 2010 vai ser comprar TODOS os presentes do próximo natal pela internet. E não me venha com o papo de "eu sempre faço isso". Posso ser um pouquinho retardada? Tenho direito.

Beijinhos suicidas pra vocês.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Nunca tive um plano B

Ilustração: Seonna Hung

Outro dia numa roda de amigos que comentavam sobre as próximas eleições, bradavam sobre Dilmas, Ciros, Serras e Marinas. A discussão maior era em quem se votaria em 2010 pra cadeira do Planalto. Até então quieta, me questionaram sobre minha opção. Não tive dúvidas, respondi:

- Eu voto no Lula.
- Ah, então você vai votar no candidato ou candidata que ele apoiar, isso?
- Não. Eu voto no Lula. Só voto nele.
- Mayraaaa, hellooooo!!! O Lula não será candidato nas próximas eleições.
- Problema dele. Porque não sei votar em outra pessoa.

Entendam um detalhe interessantíssimo: desde que o mundo das urnas existe na minha vida; desde que me tornei uma legítima cidadã brasileira; desde que usei meu título de eleitor pela primeira vez aos 18 anos, em 1994... não passei uma única eleição sequer sem votar no Lula. Compreenderam o drama? Tipo... o cara sempre foi candidato, desde o meu primeiro voto! Oh céus!! O que fazer em 2010??? Nesse caso, acho que nem o Chapolin poderá me ajudar.

Resolvi fazer uma pequena retrospectiva de todas as eleições presidenciais por que já passei:

1994 - Lula X FHC
1998 - Lula X FHC
2002 - Lula X Serra
2006 - Lula X Alckmin

Nunca antes na história da minha vida, votei em outro candidato para presidente. Então percebo que 2010 será um ano diferente e que vai exigir de mim mais paciência, dedicação e comprometimento. Além de uma boa dose de disposição para aguentar a briga de foice que vai rolar. Sim, porque eu já estava no piloto automático, né? Nem precisava pensar muito porque convicção sempre foi um dos meus fortes. Era Lula na cabeça. E não se fala mais nisso.

Exercitando o lado Pollyanna (forever and ever!), ainda na tal roda de amigos, comentei que as próximas eleições serão, no mínimo, divertidas. Vamos ver uma retrospectiva de escândalos do governo Lula nos últimos 8 anos pipocando nos programas de TV, um monte de dissidências partidárias (troca-troca que praticamente pode-se chamar de suruba, vamos combinar), neguinho que era de esquerda agora defendendo a direita e vice-versa. Vai dar pra rir bastante e colocar a cabeça pra pensar.

Tá, tudo bem, vou ter que me conformar em "mudar" meu voto ano que vem. Mas não tem problema não, porque eu tenho a teoria de que o Lula tem um plano e eu vou rir muito se isso realmente rolar. O Brasil vai ganhar a Copa do Mundo em 2010, na África do Sul e ele vai entregar o governo pro sucessor com mais essa vitória. A popularidade vai estar bombando tanto positivamente (pra variar), e aí 4 anos depois, ele vai voltar pra presidência (contando com meu eterno voto, lógico), quando estará no posto vendo as Olimpíadas, conquista da gestão dele, serem sediadas no país. Bingo!

Ah, e até o Obama acha, gente. O Lula é "o cara". Hahahahaha.

Beijinhos completamente Lulistas e anti-PT (que fique bem claro).

sexta-feira, outubro 09, 2009

A senhora vai querer de que sabor?


Começou há três semanas. Desde então, meu celular toca religiosamente todos os dias depois das 18h, de números desconhecidos, sempre alguém pedindo uma pizza. E segue tocando até perto de meia-noite. Eu disse todos os dias. Não entendi nada no começo. "Pizza? Que pizza?? Pirou??". Fiquei bem irritada pra falar a verdade. "É engano, meu filho! Este número é particular". Depois de uma semana tentando acreditar, me convenci: meu número estava em algum lugar como sendo de uma pizzaria delivery. Ok. Coisas que acontecem só comigo.

Então perguntei pra um dos esfomeados que me ligava: "Vem cá, onde você pegou este número? Ah, num panfleto que distribuiram no Gama? Que ótimo, hein? E não tem um número fixo aí? Tem?? Então me passa por favor!!". Ligo lá e atendem num italiano chinfrim: "Bom Giorno". Bom giorno é a p** que te p**!!!! Não, eu não disse isso, mas tive muita vontade. "Olá, boa noite, tudo bem? Não, não quero pizza, quero apenas informar que vocês publicaram o número do meu celular no panfleto de vocês e que não aguento mais atender pedidos de pizza". A moça, muito educada e sem graça, me pede desculpas e conta que já mandaram fazer panfletos novos e com o número certo. Tá. E o que a gente faz com os antigos?? Nada, óbvio. Senta e atende novas ligações, Mayra.

Quando comentei com amigos, ouvi de muitos: "Ah Mayra, entra na brincadeira, anota os pedidos". Gente, eu sou doida, sou divertida, sou sarcástica... mas não sou uma pessoa má. Já pensou que horror você estar em casa com fome, pedir uma pizza, achar que ela vai chegar e ela nunca dar notícias de vida, porque um engraçadinho resolveu curtir com sua cara? E por conta de um erro que você não tem culpa nenhuma? Não, eu nunca faria isso. Mas também não disse pra ninguém fazer.

Outro dia lá em casa estava recebendo uns amigos e o telefone, como de praxe, destrambelhou a tocar. Final de semana, comprovadamente, as pessoas pedem mais pizzas, muitas pizzas. A amiga pega o telefone e resolve me dar uma força: "Não amigo, publicaram este número errado, ligue pro fixo". Depois de atender umas 10 ligações, se diz cansada. O marido então assume o telemarketing e resolve que vai se divertir um pouco. Foi o que eu disse: fazer eu não faço, mas não proibo ninguém de fazer nada. Devo confessar que nos divertimos MUITO. Nunca rimos tanto. A cada ligação, ele atendia falando numa língua diferente. Isso quando não oferecia os tipos mais esdrúxulos de sabores e ouvia, em 90% das vezes, toda sorte de palavrões. As pessoas ficam irritadas quando estão com fome, néam?

A brincadeira valeu por uma noite. Porque nas seguintes continuou a mesma rotina de sempre. Outro dia até fiz amizade. A moça ficou tão penalizada com a minha situação que até esqueceu da pizza. Começamos a conversar e ela me contou que passou por situação parecida, mas publicaram o número dela num outdoor de promoção de uma rádio. Foi mais fácil de resolver mas o celular dela tocou um bocado. E hoje é sexta-feira e tem feriado vindo aí. Meu telefone vai bombar, certamente. Já nem reclamo mais. Se tiver na balada, não atendo números desconhecidos. Se tiver dormindo, ponho no silencioso. E, tenho certeza, quando isso acabar, bem possível que eu entre em depressão. Afinal, é tão bom ouvir o telefone tocar quando se mora sozinha. Nem que seja engano e pra te pedirem uma pizza.

Beijinhos delivery de bom feriado pra todos.

quarta-feira, outubro 07, 2009

As pessoas mudam quando mudam

Ilustração: Penelope Dullaghan


Perto de fazer 3 meses morando sozinha, andei percebendo algumas coisinhas:

1) Diferente de quando tinha vinte anos e tinha meu cantinho, não consigo mais sair de casa e deixar de fazer a cama. Não dá pra chegar morta de cansada e deitar num leito bagunçado. Um sinal de que os trinta fizeram alguma diferença? Talvez.

2) O ânimo pra fazer faxinas praticamente não existe. Já a ansiedade pelo dia que a diarista chega é de um tamanho sem igual. Do nível de largar a pia cheia de louça uns dois dias antes já que ela está chegando.

3) Acumular papéis, badulaques e objetos desnecessários já não tem a mesma importância. Começo a ver coisas "sobrando" pela casa, vou jogando tudo no lixo sem dó nem piedade. Espaço limpo é bom e eu gosto.

4) A animação de ir pra cozinha experimentar novas receitinhas só cresce. Comprar temperos diferentes e procurar na internet o que fazer com eles é pura diversão. Chamar os amigos pra servirem de cobaias, idem.

5) Atender telefone e campainha só quando der vontade. A ansiedade de saber quem me procura é praticamente mínima quando não estou a fim. E se tiver em casa de ressaca então, nem me importo de fingir que estou dormindo ou tomando banho. Abstraio mesmo. Desculpaê.

6) A incapacidade de cuidar de plantas continua a mesma. Esqueço que existem e quando lembro de molhar já estão mortas ou definhando. Até cacto eu já consegui matar de sede. Mas a paixão pelas flores de plástico tem aumentado muito. Meu lado kitch-brega-cafona aflorou nos últimos tempos que foi uma maravilha. E é assim que vou enfeitar as floreiras que ficam penduradas na janela do meu quarto. As flores de plástico não morrem.

7) Pago TV a cabo só pra desencargo de consciência. Usar mesmo, uso muito pouco. A disposição pra ligar a televisão tem sido cada vez menor. Já faço o favor de trabalhar em uma emissora e passo o dia todo com vários aparelhos ligadas no pé do ouvido. Quando ligo o meu, geralmente vou pros canais de música. E nem me irrito quando chove e sai tudo do ar porque deu pau na parabólica.

8) Descobri que forno de microondas é para os fracos. Tenho mania de ligar o forno a gás pra esquentar ou descongelar algo e só depois lembro que poderia ter feito isso de forma mais rápida. Tá, a pessoa é meio passada. E vamos combinar que o sabor muda, né? Microondas hoje serve de grande relógio de cozinha na minha casa. Nem sei direito pra que eu comprei um. Mas deixa ele lá, se não existisse, estaria sentindo falta com certeza.

9) Tomar café da manhã sozinha é mais chato do que fazer as outras refeições. Tenho tentado deixar tudo semi-pronto e arrumado na noite anterior. Até cuscuz eu arrisco providenciar de vez em quando. Se consigo me alimentar direitinho antes de ir trabalhar saio feliz. Quando tenho preguiça e saio de estômago vazio, fico querendo brigar comigo mesma por ter feito tamanha besteira.

10) Pessoas que moram sozinhas não fazem suco no liquidificador (a não ser de polpa); não se importam de andar nuas pela casa; tomam água no gargalo quando querem; têm mais cerveja, chá e suco na geladeira do que comida e; nunca, nunca, nunca mesmo falta gelo nas fôrmas.

E ninguém morre por conta disso. Eu, pelo menos, não. Sou muito feliz assim, viu? Muito mesmo.

Beijinhos aquecidos no microondas, já que é necessário usá-lo pra alguma coisa nesta vida.

terça-feira, outubro 06, 2009

Post-Scriptum para as mocinhas


Amigas,

a Campanha "Outubro Rosa", que busca combater o câncer de mama, chegou com força total. Eu já super aderi. Participe você também. É super simples mostrar seu apoio. "Furtei" umas dicas do blog Objetos de Desejo pra dar uma forcinha e ajudar a inspirar as moças a aderirem comigo:

- Pendure panos, faixas ou um laço cor-de-rosa em sua fachada, sacada, janelas;
- Prepare um jantar para seus amigos e coloque à mesa toalha e guardanapos cor-de-rosa;
- Enfeite seu carro com fitas cor-de-rosa na antena, no retrovisor ou no chaveiro;
- Vista-se de cor-de-rosa, crie um detalhe no seu figurino, um lenço, uma fita ou um cachecol amarrado à bolsa ou à mochila;
- Use e abuse do rosa no seu site, blog, Twitter, Orkut ou Facebook;
- Fale com outras pessoas sobre a importância do autocuidado e da detecção precoce do câncer de mama;
- Se você tem tempo disponível, contribua, seja voluntária da causa ao lado de entidades e grupos de apoio à saúde da mama.

Mais informações sobre a campanha, você encontra aqui.

Beijinhos cor-de-rosa pra você.

quarta-feira, julho 29, 2009

Porque eu sempre me divirto...


Recebi um email do meu pai ontem que dizia: "Nunca vi alguém se divertir tanto com uma mudança. Enquanto todo mundo fica puto, você faz festa". É mais ou menos por aí. Explico.

Finalmente eu mudei. Foi uma labuta e tanto mas aproveitei meu recesso de uma semana pra fazer a mudança, encaixotar coisas e cuidar dos detalhes não-tão-sórdidos assim. Como disse antes aqui, eu estou curtindo cada coisinha, até mesmo o fato de ter encaixotado todos os controles remotos e estar sem televisão e DVD há uns 5 dias porque não os encontro. Tô rindo pras paredes (ainda vazias) de tudo. Acordo de manhã e ligo o computador na Band News ou CBN online e sigo me arrumando e ouvindo as notícias, na falta da Globo News ou do Bom Dia Brasil. Pra tudo a gente dá um jeito quando está feliz.

E foi isso que resultou nesse email do papai. De fato, eu me divirto com tudo o que envolve esse processo de mudança e ainda gosto de compartilhar. Então encontrei ontem um site que vai transformar a batedeira Walita da década de 50, que ganhei da vovó (que ela pensava em jogar no lixo: "ganhei uma nova tão vagabunda, mas tão vagabunda, que você une as duas pontas da tigela de tão mole que é o plástico, mas é mais moderna" e eu dei piti, já que não existem mais batedeiras com vasilhas de vidro) num eletroportátil funcional e... vermelho! Quase surtei, né? Logo escrevi pro progenitor contando a grande novidade.

E por falar em eletrodomésticos, fico me lembrando que fui sempre assim. Quando dividia apartamento com amigos, naquela época à qual me referi em post anterior, dávamos nomes pra tudo o que chegava lá em casa. É que a gente não tinha dinheiro pra esses luxos e tudo era motivo de comemoração, no sentido real da palavra. Um exemplo foi o fogão, batizado carinhosamente de "Nestor", numa homenagem ao melhor amigo do Zé Carioca, personagem dos quadrinhos, já que tudo o que era feito ali ficava preto que nem ele. Quando o Nestor chegou em casa, promovemos uma festa, convidamos os amigos e, à meia-noite, acendemos as quatro bocas, apagamos as luzes e cantamos parabéns. Lindo, não? Eu achei.

Quando o hit "Livin' la Vida Loca" do Rick Martin estava no auge não resistimos em chamar assim nosso novo micro-ondas, afinal ele era "lindo, quente e fazia coisas gostosas enquanto girava". A cafeteira foi carinhosamente chamada de "Clara Nunes", branca de alma negra. Pegou o espírito da coisa?

E pra mostrar que o contexto ajuda muito nesse processo de diversão, quando nossa máquina de lavar roupas chegou pra ser entregue, por algum motivo que não lembro agora, não conseguia passar direito pelo espaço que tínhamos na área de serviço. Foi aí que eu e minha roommate, Lu Nassif, entoamos o hino que iria batizar a dita cuja: "A nova lavadora é linda! Deixa ela entrar". Não lembra? Era a música do momento do grupo É o Tchan saudando a chegada na nova loira no grupo: Sheila. Lavou muita roupa lá em casa, a Sheila.

E como não dá pra contar toooodos os nomes que inventamos, vou finalizar com nossa geladeira, a "Magda", uma alusão ao personagem da Marisa Orth em Sai de Baixo: "linda por fora e vazia por dentro". Vai dizer que dá pra não se divertir com mudança? Vai dizer que você faz cara feia e reclama porque tem que colocar cada coisa em seu lugar e vai ficar com dor na coluna? Meu bem, hello!!!! Isso faz parte do processo! Eu me divirto mesmo, faço tudo ouvindo um bom rock and roll e comemorando cada coisa entregue no meu novo lar. Sentada no chão, cozinhando miojo na leiteira antes de comprar as panelas e fazendo caixa de mudança de mesa de centro. E te garanto: estou muito feliz assim.

Beijinhos de quem tá até hoje desencaixotando e cantando atrás de um certo controle remoto.

sexta-feira, julho 17, 2009

Minha Casa, Minha Vida

Ilustração: Penelope Dullaghan

Sempre gostei de coisas de casa. Quando morava sozinha já tinha um prazer enorme de procurar apetrechos e utilidades do lar bacanas pra enfeitar minha casinha. Se já era assim antes, imaginem agora, que tenho mais possibilidades de escolher como quero que tudo fique.

Naquela saída de casa aos 21 anos, fui morar com um amigo que já tinha o apartamento mobiliado. Levei de mudança apenas meu quarto e nada mais. Saí de lá pra alugar outro apê com outra amiga e foi aí que começamos a comprar coisinhas. Mas como nós não tínhamos muita grana, herdamos das famílias e amigos tudo o que pudemos. E fizemos um chazinho de casa nova pra completar o que faltava.

Com essa história, "minhas casas" sempre tiveram minha cara, mas nunca meu gosto. Explico: Era um sofá que alguém me dava, com estantes que mamãe não usava mais, a mesa de vidro que papai me emprestou e cadeiras compradas em algum bazar. Ou seja, os apartamentos eram lindos, aconchegantes, mas praticamente um Frankstein!

Agora estou curtindo escolher meus mimos, meus móveis, a cor da parede que quero colocar. Passo pela rua do Beirute, conhecida como Rua das Elétricas e fico pirando nas luminárias que podem vir a decorar minha nova casa. E passear no shopping de lojas de móveis e querer tudo o que encontro pela frente? Vou ter que arrumar um apartamento um pouquinho maior se continuar surtando assim...

E como eu sou bem filha da minha mãe, ela entrou na empolgação junto comigo. Já me deu presentes ótimos pro meu novo lar: um frigobar retrô vermelho, uma escultura assinada do Romero Britto e uma caixa de ferramentas que é um jogo de bar, com direito à coqueteleira em formato de pinguim, porque eu mereço. E como eu não posso deixar de contar com a ajudinha dos amigos, já tenho uma lista pronta pra enviar quando for fazer meu chá de casa nova. Sim, porque se eu for comprar tu-di-nho que uma casa precisa de uma vez só, vou à falência. E quinquilharias de cozinha vindas dos amigos deixam tudo muito mais divertido.

Agora, já pensaram que luxo não vai ser o meu cafofo? Presentinhos de mamãe, da família e dos amigos. Somam-se a isso uma mesa tulipa do designer finlandês Eero Saarinen (sonho de consumo há anos que consegui realizar), com tampo em mármore de carrara e cadeiras de acrílico de Charles e Ray Eames. Sim, eu sou luxo só. Fico só imaginando onde vai entrar cada detalhe, se coloco a obra de arte linda-e-maravilhosa no aparador ou em cima da mini-geladeira anos 50. Se o tapete será preto ou se uma parede vai ter bolinhas, como eu imaginei desde o início. Se a gravura show-de-bola do artista espanhol Tomás Viana fica na sala de jantar ou na sala de estar. Oh dúvida! Oh vida!

Se todas as questões do mundo fossem assim, a gente tava feito, né? A parte engraçada é que eu já tenho todas essas coisas e ainda nem fechei o aluguel do apartamento. Ansiosa? Sou sim, e muito. Precipitada? Nem tanto. Sou mesmo é gente boa, sabe. Eu sou tão legal, mas tão legal que convenci o proprietário do apartamento de pintar o apartamento do jeito que eu quero sem sequer ter recebido ainda minha documentação pra fecharmos o negócio. É que o negócio já tá mais que fechado, minha gente. E como diz minha amiga Pri, este será o meu castelo. E já tenho a certeza de que o tapete vermelho já foi estendido pra me receber.

Beijinhos super ansiosos, prontinha pra receber as chaves da porta da esperança.

sexta-feira, julho 10, 2009

O bom filho à (sua) casa torna...

Ilustração: Seonna Hung

Quase quatro meses de sumiço completo do blog. Já fui mais séria com isso... mas a gente sempre encontra bons motivos pra voltar, não é mesmo? Pois bem, eu encontrei um ótimo motivo pra voltar a escrever: decidi morar sozinha de novo, depois de 6 anos na casa da mamãe.

Aos que não sabem e não acompanham o Milk Shake desde o início, eu já fiz isso antes: brinquei de casinha por um tempo. Aquelas coisas que a gente faz quando é (muito) novo e acha que vai conquistar o mundo. Não, eu não saí de casa pra morar em outra cidade, fazer intercâmbio ou trabalhar fora. Eu simplesmente, aos 21 anos, virei pra minha família e disse: "tô indo". E fui. Fui tentar entender o que era ser adulto, ter responsabilidades, pagar contas e fazer escolhas. Fui bater a cabeça e descobrir determinados valores que a gente só entende depois que cresce de verdade. Deu certo mas eu cansei e um dia voltei, sem dó nem remorso. E como toda mãe, fui recebida de braços extremamente abertos pela minha. E carinho, cuidado e chá quente quando fico gripada. Porque ficar doente sozinho é muito chato.

Colocando o saldo da brincadeira em números, dá mais ou menos a seguinte conta: em 6 anos de "independência", morei em 4 apartamentos diferentes, mais 5 pessoas com quem dividi um lar e 1 namorado que resolveu se mudar pra minha casa sem me avisar que eu tava "casando". Claro que não durou. Fiz uma nova "família" que até hoje se encontra e faz farras como nos velhos tempos.

Um dia eu olhei pros lados e pensei: "Pô! Eu tenho 27 anos, sou solteira, sem filhos e vivo pra pagar contas e decidir se pago a conta de telefone ou vou ao cinema". É, a vida era dura, eu ralava um bocado e, logicamente, sempre pude contar com uma forcinha extra da família. O que pesou foi ver todos os meus amigos aproveitando, viajando, curtindo todas, no auge dos 20 anos e eu lá... fazendo faxina e contando os trocados pra ver se conseguiria sobrar um trocadinho praquela sandália linda que eu tinha visto na liquidação no shopping. Tudo na vida é mesmo um questão de... escolhas.

Foi então que eu decidi considerar um convite da mamãe de voltar e ter dinheiro pra viajar e comprar as minhas coisas. Juntar pra comprar um apartamento? Quis não. Já sei que vou fazer isso boa parte da minha vida e ali o que eu queria mesmo era aproveitar. E aproveitei, viu!!! Ô, e como! Aproveitei tanto que tive tempo pra trabalhar, viajar e estudar pra concursos. Agora passei, tô bem, estável e senti, aos 33 anos, que estou suficientemente adulta pra encarar um segundo round e tocar minha vida. As condições agora são outras e eu estou muito feliz com minha decisão.

Tudo está acontecendo aos poucos. Ainda estou em fase de negociação com o apartamento dos sonhos (torçam pra dar certo!) e quando vou ao shopping, as placas de "Sale, Liquidação ou Bota Fora" não estão me encantando. A não ser que fogão, geladeira, micro-ondas e coisinhas de casa estejam incluídas no pacote. Pois é, meus amigos, estou totalmente voltada para o universo "casa" no momento. Cabeça, ombro, joelho e pé só trabalham pra isso. E quero (e vou) compartilhar este novo momento com vocês.

Mamãe? Vai ficar ótima. Estou indo morar pertinho dela pra não perder o hábito de ganhar cafuné nem perdê-la de vista. O importante é que nossos pais sempre sabem que a gente um dia cresce de verdade e tenta realmente mudar o mundo. Vou tentar fazer a minha parte. Meu mundo voltou a ser uma caixinha de surpresas que eu tô louca pra desbravar!

Boa sorte pra mim! Beijinhos de nova vida, novas perspectivas e, principalmente, saudades de todos vocês, meus leitores. Voltei!